Os novos produtos da modernidade, como as redes sociais, criaram novas estrelas, quase instantâneas, que por entre vídeos e fotos do seu dia a dia de embelezamento do mundano vão servindo de inspiração e imagem para aqueles que procuram arquétipos a seguir. Se antigamente muitos diziam que deixavam a televisão ligada para se sentirem, de alguma maneira acompanhados, o mesmo se passa com as redes sociais, que levamos para todo o lado, juntamente com o telemóvel.
Sylwia Zajac (Magdalena Kolesnik), instagramer da moda, é uma criação destes novos tempos, em que essas figuras vão bem além dos 15 minutos de fama que Andy Warhol vaticinava nos anos 70 para o futuro. Instrutora de fitness com 600 mil seguidores, a sua determinação e narcisismo andam de mãos dadas, mas a exposição da totalidade da sua vida esconde uma enorme solidão, que chega a partilhar com os seus seguidores e que a transformam ainda mais numa estrela viral, alguém com quem se conectam.
Essa solidão manifesta-se de várias formas, não só na ausência de uma verdadeira companhia no dia a dia, mas igualmente na sua família, onde parece uma extraterrestre que procura um maior vínculo através de ofertas dispendiosas. De nada lhe serve, sendo uma refeição com eles partilhada um dos pontos nevrálgicos desta obra, onde os comportamentos e exposição atual da juventude contrastam com os tempos antigos de maior reserva, recato e privacidade. Nessa cena de tensão e de busca de reconforto emocional, os familiares desvalorizam mesmo uma situação em que ela conta como foi importunada sexualmente por um dos seus seguidores, um stalker que à porta de sua casa masturbou-se com a instagramer no horizonte.
Segunda longa-metragem de Magnus Von Horn, cujo filme estreia, “The Here After”, estreou na Quinzena dos Realizadores de 2015, “Sweat” sente-se na linhagem do cinema de Ruben Östlund e Rúnar Rúnarsson, abordando os tempos modernos, a exposição à fama, e a relação dos jovens com as ferramentas modernas como forma de sararem vulnerabilidades, lidarem com obstinações e encontrarem um equilíbrio emocional.
Magdalena Kolesnik é exuberante nessa representação, quer na constante busca do corpo perfeito e na necessidade de ser amada, quer em toda a solidão que essa vida de fama, que obriga a alguma reclusão, transporta para as suas personagens para ambientes de exclusão social. O sentimento de desconforto social, mesmo sendo seguida por milhares de pessoas, revela-se em todo o seu esplendor num café que toma com uma antiga colega de escola que passou por um evento traumático.
E será no final que, talvez, ela faça as pazes consigo mesmo no que toca à sua realização e felicidade, quando acaba por auxiliar o pervertido homem que tanto a amedrontou. Ou então decide mudar de vida… Nunca saberemos…



















