Percebe-se o título “Into The Fog“, primeira longa-metragem de Maciej Kalymon estreada no Festival de Gotemburgo, onde concorria ao Dragão de Melhor Documentário nórdico.

E percebe-se porque todo este híbrido está envolvido numa cortina nebulosa movida por indivíduos que fazem da noite de de Malmö, na Suécia, o seu espaço-tempo comum, seja em trabalhos mecanizados e secados de qual sentimento como uma fábrica de produção fordista, seja nos condutores de camiões TIR que pernoitam à beira da estrada à espera de carregarem os seus camiões, seja naqueles que encontram na diversão escapista movida a álcool formas de se “adormecerem” e passarem os dias mais rapidamente para fugir à dor.

Este é um trabalho sobre gentes marginais, aqueles que na maioria do tempo escapam ao olhar diurno, partilhando todos uma espécie de sensação que quando desaparecerem não deixam nada para trás além de cinzas que se perdem entre a poeira que o mundo expele quotidianamente. Na verdade, e no meio das cores vibrantes que contrastam com a escuridão, e os sons eletrónicos que silenciam o que têm para dizer, eles também permanecem invisíveis, sendo preciso a lente do cineasta segui-los para ganharem de alguma forma individualidade e atenção.

Existe uma forma estética de poesia lúgubre coberta de dor nesta obra de Kalymon, como se os quadros fílmicos de  Roy Andersson fossem invadidos por adições notívagas de escape ao desespero a uma invisibilidade social, tantas vezes retratadas no cinema de Kaurismaki. Gentes infelizes que sabendo que não são notadas, vão produzindo mecanicamente na máquina capitalista ou enchendo-se de substâncias para anestesiar vidas sofridas marcadas pelo vácuo emocional e relacional.

Into The Fog” é um trabalho essencialmente sensorial, que não aprofunda qualquer uma das personagens que vemos em cena, mas prefere um olhar geral sobre vidas de fácil escrutínio, mas de difícil compreensão.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
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