Foram precisos apenas 75 minutos para Vinothraj PS impressionar o espectador com uma história sobre a erosão de relacionamentos numa família, mas igualmente sobre a devastadora paisagem em torno da vila de Arittapatti, no Sul da Índia, onde a falta de chuva provoca uma situação completamente insustentável para a sobrevivência.
E insustentável era também o casamento do protagonista, Ganapathy, um homem bruto e anguloso como os calhaus que encontra pelo caminho e lhe rebentam com os pés, e que parte numa busca incessante e raivosa até à aldeia da família da esposa, a qual desapareceu sem deixar rasto. Pela irascibilidade deste homem que vemos em cena, e que fuma cigarros atrás de cigarros, na mesma proporção que bate no filho, podemos antever o que levou a mulher a sair da sua beira, mas Vinothraj PS nunca nos diz especificamente o que aconteceu, descobrindo o espectador – neste pedregoso road-movie tenso – um circuito da violência, quer humana, quer da paisagem que os sufoca.
Tudo começa com uma entrada de rompante, plena de agressividade, quando Ganapathy invade a escola do filho e o obriga a ir com ele à procura da sua mulher, um percurso que primeiro começa de autocarro, onde também arranja sarilhos por estar a fumar. Saídos, ou antes, expulsos do veículo, pai e filho começam então a caminhar até a aldeia, executando o realizador planos longos onde a câmara, completamente móvel nessa travessia, à frente, atrás, ou ao lado dos nossos caminhantes, nunca perde o sentido de mostrar o seu distanciamento (físico e psicológico), enquanto as suas silhuetas perante o espaço que atravessam revelam-se minúsculas.
Aliás, o espaço desértico por aqui funciona como a personagem mais avassaladora. É que a secura completa da região e a sua aridez impossibilita qualquer forma de agricultura ou manutenção de gado, restando aos habitantes regressarem ao seu estado mais primitivo e alimentarem-se do que existe, que neste caso são os escassos ratos que ainda encontram no solo árido o seu refúgio. E essa secura transparece igualmente para todos os não-atores em cena, e para as próprias escolhas técnicas do realizador, que filma os eventos e apresenta-os como um só dia, onde a secura de empatia entre pai e filho é o que de mais áspero e duro encontramos.



















