Treze anos depois de  “The Tender Hook”, Jonathan Ogilvie regressa com “Lone Wolf”, um filme que aproveita a tecnologia e a vigilância global para nos entregar um ensaio distópico passado na Austrália que se baseia no livro de Joseph Conrad, “O Agente Secreto”.

Não funciona em nenhum momento este thriller político com tentativas de humor em fartura sobre um futuro onde vigilância de dados e pessoas é uma realidade, objeto até das campanhas eleitorais. É neste mundo que a ativista Winnie (Tilda Cobham-Hervey) opera uma sex-shop com o namorado Conrad (Josh McConville), o qual é abordado por uma organização proíbida cujo plano é interromper a próxima cúpula do G20.

A vigilância governamental num sistema de opressão invisível, “para nossa segurança“, é há décadas alvo de reflexão critica na literatura, cinema e TV, mas neste futuro onde há câmaras disponíveis em todo o lado, é possível agora às autoridades montarem um filme inteiro da vida das pessoas, seguindo de perto qualquer insurreição. O filme começa mesmo com Hugo Weaving num pequeno papel de ministro a ver um “filme” da vida dos vigiados, que descobrimos estarem sob investigação. É esse mesmo vídeo, repleto de imagens cruas de baixa qualidade, muitas vezes posicionadas em ângulos bizarros, que assistimos de forma aborrecida.

Outro dos elementos notavelmente visível aqui é que ver este “Lone Wolf” num cinema não traz qualquer vantagem acrescida, a não ser que sejam daqueles que inventaram a “mais valia” artificial de que numa sala estão mais focados e distraem-se menos do que em casa. No essencial, este é um projeto concetualmente curioso, mas fraco na execução e já não tão inovador assim quando existem filmes no mercado como “Pesquisa Obsessiva” ou “ Unfriended”, os quais usam semelhantes dispositivos cinematográficos para atrair o espectador e a sua veia voyeur.

Ainda assim, temos consciência que esta é uma produção para fazer muitas sessões de festivais de cinema fantástico que gostam de mostrar peças sci-fi, que não sendo espampanantes tentam ter o seu “charme” através da atmosfera found footage.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
lone-wolf-adaptacao-futurista-de-obra-de-joseph-conrad-nao-merece-vigilanciaConcetualmente curioso, mas fraco na execução e já não tão inovador assim