Cinco amigos vão explorar uma caverna a meio de uma floresta remota, mas tudo corre mal: uma inundação começa a deixá-los sem saída e, para piorar, invadiram sem saber a “casa” de um esfomeado crocodilo.
A estas alturas ninguém espera surpresas particularmente assombrosas de um projeto de monstros animais a assediar desavisados, mas não deixar de ser incómodo que um filme de 2020 consiga lembrar a todo momento (especialmente nos ataques na água) o longínquo “Tubarão” – para não falar de alinhar-se sem nada de distintivo dentro de uma enchente de revisitações do formato ao longo das décadas.
Se o enredo do clássico de Steven Spielberg, no entanto, se passava nos grandes espaços do mar aberto, é na exploração dos cenários fechados (a escuridão reinante, o jogo de luzes nas paredes, os reflexos na água e os cantos mal iluminados) e nas premissas de tensão (a caverna que se vai enchendo d´´agua e onde as clareiras em forma de lago albergam um bicharoco desenvolto que, no mínimo, atrapalha cada movimento) que o filme escapa da mais absoluta banalidade. Até porque, tipicamente, tudo o que envolve os protagonistas (dramas, motivações, diálogos) dificilmente ultrapassa a irrelevância e maiores enquadramentos para o que se passa também são descartados. Felizmente boa parte da narrativa é silenciosa e uma gestão eficaz das aparições da “criatura” (entre os quais pelo menos um ataque surpreendente), faz com que o resultado final seja satisfatoriamente claustrofóbico.
Projeto australiano de Andrew Traucki, realizado com um jovem elenco do seu país. O cineasta correalizou com David Nerlich “Pântano Negro”, obra que em Portugal circulou via Motelx em 2008 e que tem aqui uma espécie de “sequela” sem elos de continuidade com o primeiro. Foi dos primeiros filmes a ser lançados nas salas britânicas após o levantamento das restrições pós-pandemia.



















