É fulgurante o sentimento de vertigem e cansaço que o espectador sente ao ver La femme de mon frère”, estreia na realização da atriz Monia Chokri, conhecida – principalmente – pelo seu trabalho no cinema de Xavier Dolan.

E sente-se Dolan por aqui, mas igualmente traços reapropriados das comédias mais básicas do modelo americano, da Nouvelle Vague e até pitadas do “mumblecore” de Alex Ross Perry, em especial o seu “The Color Wheel, tudo emaranhado num objeto com título Rohmeriano.

O sentimento  kitsch e pretensiosismo hipster – dirão – sente-se a toda a hora (filme perfeito para abrir o IndieLisboa) numa fábula carregada de nostalgia onde os termos “idade adulta” e “maturidade” surgem dissociados num autocrítico e tardio (anti) coming-of-age sem cedências.  

E apesar de tudo isto parecer sobreviver na forma de sketchs da vida de uma trintona que ainda não sabe bem o que fazer depois do doutoramento, isto porque tem currículo “a mais” e foi ultrapassada pelo seu orientador de tese no emprego a que estava destinada, no final tudo funciona com graça e acutilância, muito também porque na realização existe a exuberância de testar planos ousados, muitos deles a relatarem situações que um cineasta mais experiente deixaria cair na mesa de montagem.

Sim, o espírito e vários problemas de primeira obra e muitos dos erros que os realizadores caem frequentemente estão por aqui, mas isso ainda dá ainda mais graça, charme e carisma à história pouco polida desta “Jeune Femme” ou “Fleabag” inexperiente “made in Québec“. 

No final, diríamos, estamos perante uma estreia pouco harmoniosa, mas que em oposição entrega uma energia de tal forma transbordante que abre as portas a que o nome de Monia Chokri seja acompanhado de perto no futuro.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
la-femme-de-mon-frere-mulher-a-beira-de-um-ataque-de-nervosUma estreia pouco harmoniosa, mas que entrega uma energia de tal forma transbordante que abre as portas a que a realizadora seja seguida de perto no futuro