Realizado por Philippe Machado, um luso descendente a viver em Paris, “Até Para o Ano” propõe um olhar à volta das comunidades portuguesas emigradas no estrangeiro, que todos os anos regressam a Portugal durante os meses de verão.

É também um filme de despedida, não só pela forma como acompanha o último dia de férias de uma família com raízes no Minho, mas também por esse outro adeus que contamina o filme e o arrasta para um sentimentalismo a roçar a boçalidade televisiva. A grave doença de um dos familiares revela-se assim um dos principais motivos organizadores do arco narrativo do filme (não por acaso, Machado dedica o filme a um tio seu), que vai cambaleando entre as promessas e expectativas que o fim das férias pode oferecer, e a incerteza que a inevitável morte vem trazer.

É um filme com recursos reduzidos, um lado mais “amador” que nunca chega a ser verdadeiramente escondido por um elenco muito desinspirado, que se perde frequentemente perante a falta de um pensamento cinematográfico capaz de oferecer outra segurança. Momentos como aquele em que um dos personagens atira um, “vá lá, venha de lá esse sorrisinho”, numa das inúmeras despedidas que se arrastam perpetuamente pelo filme, atiram-no para dentro dum poço de pornografia “telenovelesca” do qual ninguém sai vivo.  

Tem o coração, falta-lhe a consciência.

Pontuação Geral
José Raposo
ate-para-o-ano-coracao-a-mais-para-tao-pouco-cinema Filme com recursos reduzidos, um lado mais “amador” que nunca chega a ser verdadeiramente escondido por um elenco muito desinspirado, que se perde frequentemente perante a falta de um pensamento cinematográfico