Dany Boon e Philippe Katerine esbanjam carisma como atores do circuito da comédia, mas este “Agente Super Secreto” acaba por se revelar um tiro de pólvora seca que joga repetitivamente entre a loucura e a realidade, o que é verdadeiro ou delírio, para tentar manter o espectador agarrado.

Romain Martin (Katerine) é médico num hospital psiquiátrico, local onde tem como paciente Léo (Boon), um “louco” que afirma ser agente secreto. As histórias que este conta são mirabolantes e envolvem cenários dignos dos filmes de espiões, mas Romain não crê nelas, pelo menos até a sua namorada desaparecer e ele ter de pedir ajuda à única pessoa que conhece capaz de a resgatar: Léo.

A partir daqui o filme desenrola-se com o duo a sair da ala psiquiátrica e a procurar a namorada de Romain, tudo entre a road trip citadina onde o slapstick abunda e o filme “heist“, mas sem grande criatividade ou arrojo. Na verdade, este novo “veículo” para o todo poderoso – no box-office gaulês – Danny Boon acentua o distanciamento do ator do tipo de comédia (de costumes) que o celebrizou, embarcando numa jornada de comédia palerma que pretende homenagear os filmes de ação franceses dos anos 70 e 80, mas que se esquece que para isso tem de ter um guião além do “template” previsível e formatado.

E se a dinâmica entre Boon e Katerine naturalmente provoca um riso aqui e ali, tal como acontecia em “Supercondríaco“, onde Boon e Kad Merad lideravam, tudo é no final deste “O Leão” demasiado preguiçoso e sensaborão, até porque os vilões assaltantes e sequestradores desta história são apenas figuras banais sem qualquer mística ou temor, a raptada permanece quase “invisível” e a dupla de heróis revela apenas ser um acumular de clichês dos típicos duetos nos chamados “Buddy Films”.

Nisto, e embora não seja tão doloroso de assistir como o “golpe do Leão” visto em cena, “Agente Super Secreto” volta a ser um fracasso para a carreira de Boon, aqui fora do seu habitat natural, que são filmes como “Bem-Vindos ao Norte”, “Nada a Declarar” e “A Minha Família do Norte”. Este é mais próximo de um dos seus piores filmes: “Raid – Pelotão Chanfrado”.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
o-leao-malucos-do-riso-a-soltaEmbora não seja tão doloroso de assistir como o "golpe do Leão" visto em cena, “Agente Super Secreto” volta a ser um fracasso para Dany Boon