La Marca del Demonio (A Marca do Demónio) está disponível na Netflix

Poucos dias depois de Stuart Gordon ter falecido, aquele que era uma das faces das adaptações cinematográficas de H.P. Lovecraft, a Netflix estreia A Marca do Demónio, filme que abre com a citação do célebre escritor do fantástico e ainda aborda a sua mitologia com menções a Cthulhu ou ao fictício livro dos mortos – Necronomicon.

Contúdo, no seio desse universo apropriado, esta obra mexicana de terror reúne na sua equação outras referências do cinema de terror para se induzir nas mesmas partidas jogadas pelos seus comparsas “gringos”. Um arraçado de “O Exorcista” sem credibilidade e um anti-herói sem carisma com maneirismos de trágico à lá Hollywood, são outros ingredientes que vêm se juntar a uma (sem piada fácil) novela mexicana de escrita duvidosa. Uma aberração de manias e propriedades emprestadas que poderia seguir as lições de Mario Bava e o seu, por exemplo, A Máscara do Demónio (1960), em matéria de quimeras de enredo sem lógica, compensada com uma sedutora estética e condução. No caso desta Marca’, tudo vai em prol de um guião sem beira nem eira e desempenhos canastrões em cumplicidade de uma realização corrida a mínimos e sem beleza na sua execução (mesmo que mórbida).

A Marca do Demónio é o resultado de uma ausência identitária do cinema de género mexicano e por outro lado a ganância de uma plataforma em construir o seu catálogo por vias de quantidade e não de qualidade, a fim de ostentar uma diversidade geográfica para “inglês ver”. Para sermos sinceros, nada aqui goza do estatuto de “tão mau, que se torna bom” que outros acidentes usufruem em consequência da sua enorme descrença artística.

Fica o aviso,: leva-se demasiado sério, impondo um exagero dramático no seu climax que restaura a nossa apetência por devorar “lixo”. Risível fracasso.

Pontuação Geral
A precisar de um exorcismo
a-marca-do-demonio-e-foi-assim-que-aconteceu-a-telenovela-mexicanaLeva-se demasiado sério, impondo um exagero dramático no seu climax que restaura a nossa apetência por devorar "lixo". Risível fracasso