Ultras está disponível na Netflix

Ainda está para nascer uma verdadeira obra que explore convenientemente e além da “flor da pele” o fenómeno do hooliganismo no futebol e o que este Ultras consegue no máximo fazer é mostrar a diferente dinâmica entre a chamada velha guarda das claques dos clubes e uma nova geração que agora ocupa os lugares cimeiros nos estádios a “defender” e incentivar o seu clube.

O cenário é Nápoles e o foco é uma claque radical, onde muitos dos seus membros mais velhos estão já banidos de frequentarem os estádios, tendo de se apresentar nas esquadras sempre que a sua equipa entra em campo.

No centro de todo o enredo está Sandro (Aniello Arena), o “moicano”, figura respeitada e temida que tem no jovem Angelo (Ciro Nacca), cujo irmão morreu durante um confronto histórico com os rivais, o seu protegido. As picardias entre velhos e novos membros da claque são quotidianas e Sandro – agora banido – parece querer afastar-se dos valores que a nova claque defende, especialmente porque encontrou em Terry (Antonia Truppo) o amor.

Falar de claques ultras sem falar de extremismo ideológico é quase impossível, e muitas vezes sentimos em Sandro o que recentemente encontramos em Skin, onde um jovem neonazi encontrou outro rumo após descobrir o amor, abandonando as ideias supremacistas e a colaborando com as autoridades para travar vários crimes de ódio, numa espécie de redenção.

Mas aqui não temos, de todo, um crowd-pleaser e o seu final à la American History X torna este objeto previsível dentro do reino dos coming-of-age tardios que, apesar de demonstrar algum talento na apresentação de uma cultura fundamentalmente tóxica e masculina que trespassa para a vida em todas as suas vertentes, acaba por saber a pouco em termos de profundidade e análise de uma subcultura que envolve camaradagem, fraternidade e lealdade.

Assim, e embora o guião seja o maior problema por aqui, Francesco Lettieri deixa algumas boas indicações, especialmente na forma dinâmica com que retrata a tensão entre dois grupos dentro de uma estrutura só, conseguindo transmitir alguma da força, intensidade e estética do cinema de Stefano Sollima, em particular do seu A.C.A.B.: All Cops Are Bastards.

Pontuação Geral
Dispensável
ultras-guerras-nas-claques-de-futebolApesar de demonstrar algum talento na apresentação de uma cultura fundamentalmente tóxica e masculina que trespassa para a vida em todas as suas vertentes, acaba por saber a pouco em termos de profundidade e análise de uma subcultura que envolve camaradagem, fraternidade e lealdade.