Disturbing The Peace: neo-western sem fulgor ao sabor dos anos 80

(Fotos: Divulgação)

Disturbing The Peace (Cidade Sob Ameaça) é um neo-western sem fulgor que parece ter estado enterrado numa cápsula do tempo desde os anos 80

O que terá levado Guy Pearce a aceitar participar neste Disturbing The Peace é um mistério, mas desconfiamos que foi a promessa de numa das cenas finais – das mais conseguidas – o ator poder andar a cavalo por uma cidade de “shotgun” na mão com uma enorme “pinta”, isto depois de ter beijado a “mocinha”.

Para além dessa cena, e de mais uns momentos de confronto no feminino (em que rimos mais do que nos preocupamos com o desenlace), Disturbing The Peace é um objeto obsoleto que parece vir diretamente do mercado de Home Video dos anos 80, onde um Ranger traumatizado por balear um colega tem de lidar com um gangue violento que chega à sua pequena cidade para criar o caos (também há tiques de Mad Max).

Nada por aqui funciona convenientemente, e o que podia ser um belíssimo objeto de culto na forma de “filme xunga” acaba por ser um entretenimento bolorento e fastidioso que nunca consegue ser tão “cool” como acha que é.

Na verdade, o filme é como o candidato a presidente da câmara deste filme: previsível, “saloio” e sem qualquer ponta de interesse ou charme. A direção do antigo snowboarder profissional – transformado em realizador – York Alec Shackleton procura criar algo na tradição de o Comboio Apitou Três Vezes, e não esconde a sua pretensão de neo-western ao colocar numa parede posters dos antiquíssimos dos silenciosos Wild and Woolly e The Vanishing American como eventuais referências, mais isso é “isco” para crítico amador morder, e o máximo que ele consegue é entediar-nos com um toque pretensioso no meio de um objecto mais que visto.

Por tal, eis um desastre de filme, daqueles mais pelo tédio e sensação permanente de dèjá vu, e não por gaffes, erros ou debilidades técnicas dos envolvidos, que também existem e estão por todo o lado.

E já agora, que música é aquela dos créditos finais?


Jorge Pereira

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