Que Olivier Assayas sabe dirigir thrillers de forma energética baseados em histórias verìdicas já o sabíamos, atè porque quando o francês levou ao grande (e pequeno) ecrã a história de “Carlos “, o chacal, o resultado foi tremendo, com Edgar Ramirez a ter – provavelmente – o seu melhor papel e interpretação no cinema.
Agora, o mesmo cineasta e o mesmo ator encontram-se neste labiríntico, eficaz, mas nada sensacional “Wasp Network“, filme baseado no livro do brasileiro Fernando Morais, “Os Últimos Soldados da Guerra Fria“, onde acompanhamos a criação da Rede Vespa, uma associação secreta cubana que nos EUA infiltra-se em organizações anticastristas em Miami, para evitarem ataques terroristas em Cuba.
É um trabalho notável em termos de suspense e recriação histórica, com o gaulês a desordenar cronologicamente o relato dos factos e a contar com um elenco de luxo, onde ainda encontramos Penélope Cruz, Wagner Moura, Ana de Armas e Gael Garcia Bernal. Mas se no suspense as coisas correm bem, na construção e no despir emocional das personagens existe alguma superficialidade, sofrendo particularmente com isso Garcia Bernal, mas também Moura e Armas, cujo casal que representam nunca realmente parece ter a química suficiente para nos convencer. Isso fica especialmente demonstrado quando o filme tenta embarcar numa tentativa frustrada de uma tórrida cena sexual entre os dois, a qual acaba por não resultar de todo.
Na verdade, existem por aqui algumas falhas na forma de atrair o espectador para além do trabalho jornalístico e “da boa adaptação do livro” no que diz respeito aos dados factuais relatados, mas essencialmente falta emoção e esta praticamente só se encontra quando o cineasta entrecruza imagens da Penélope Cruz e Edgar Ramirez, um em Cuba, outro nos EUA, numa espécie de diálogo entre dois tempos, dois locais.
Existem, ainda assim, excelentes detalhes e sequências, como aquela de atentados nos hotéis de Havana, mas a pressa nas respostas do último terço, dadas em jeito telex (o projeto exigia mais tempo de duração), minoram um registo ficcional que tinha o potencial cinematográfico para ser um novo “Carlos“, ou até o suplantar. Assim, acaba por saber a pouco.
(crítica originalmente escrita durante o último Festival de San Sebastián)



















