Conhecido como «O Chacal», Ilich Ramírez Sánchez (Carlos) foi uma figura chave do terrorismo internacional dos anos 70 e 80, trabalhando ao serviço dos serviços secretos de diversos governos. Mas esta é também uma viagem a uma época, tão idealista como violenta, e onde a cortina de ferro separava dois mundos onde figuras como Carlos eram usadas como peões em nome de causas. Terrorista? Mercenário? Idealista? Tudo isto é colocado em discussão e aplicável a este homem, odiado por uns, mas um exemplo para outros.
O certo é que a fita destila o fascínio de Assayas pelo período político e histórico onde a obra se encaixa, sempre funcionando também como um estudo comportamental – quer de Carlos, quer das instituições e das nações envolvidas.
Curiosamente, a obra não foi bem aceite pela personagem (real) visada, que ainda aguarda o julgamento de alguns crimes. Ele afirma que há erros grosseiros no argumento, especialmente na descrição de como Carlos sequestrou onze ministros de países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) que estavam reunidos em Viena, na Áustria. Esta cena acaba por ser uma das mais espectaculares do filme, e que nos faz pensar – e olhando para paranóia da segurança existente nos dias de hoje – como tal foi possível.
A liderar o elenco deste projecto temos o venezuelano Edgar Ramirez, talvez o mais injustiçado no período dos prémios. A sua prestação é exemplar, destacando-se a forma como vai passando de língua em língua sem tropeçar.
Mas o que mais me agradou em «Carlos» foi a forma descomplexada como foi tratado. Assayas nunca lhe aponta o dedo, nem o transforma num demónio. Em oposição, o cineasta também não enfatiza os seus feitos, nem romantiza o seu estatuto de ícone para algumas pessoas. Fazer uma obra assim, sem que chegue ao ponto da superficialidade, é uma grande conquista.



















