A câmara filma um rio e segue num longo plano-sequência até apresentar uma pacata cidade que ostenta uma bandeira dos Estados Unidos a cada 100 metros. Tudo parece pacífico enquanto esse início silencioso continua a seguir um menino pela velha fonte de tormentos – a floresta.
Quando a introdução termina o espectador é apresentado à família “que deveria” ser perfeita, ocupando uma bela casa e com os seus dois carros sofisticada na garagem. Mas Adam Randall já a apanha em desintegração: o marido (o policial Greg Harper, vivido por Jon Tenney) dorme no sofá e o filho adolescente (Judah Lews) não fala com a mãe (Helen Hunt). O motivo foi um caso extraconjugal desta última.
A infidelidade está longe de ser a única mazela “escondida” dentro da família americana: decorre na cidade uma investigação policial ao desaparecimento do menino mostrado no início que segue o padrão de um “serial killer” pedófilo que Harper ajudou a pôr na cadeia muitos anos antes.
Tudo se ficaria por um “thriller” sobre meninos desaparecidos com algumas sugestões de sobrenatural (a forma como menino “voa” da bicicleta no início) ou uma curiosa “home invasion” (as coisas estranhas que vão acontecendo dentro da casa) não fosse o argumento do ator Devon Graye engendrar um “twist” que muda completamente o rumo e a perspetiva dos acontecimentos a meio do filme. Aí os subtextos desaparecem para dar lugar a momentos de adrenalina, que vão desde o uso do “found footage” a partir de uma “inventice moderna” para a geração do Youtube que o filme chama de “phroggling” (consiste em invadir uma casa e lá pernoitar alguns dias sem ser descoberto fazendo, obviamente, o relato para a câmara) à uma caçada de gato-e-rato onde os papéis de “bom e vilão” se invertem.
Uma das maiores vítimas no filme é, ironicamente, a sua estrela Helen Hunt, que não parece ter sobrevivido bem a uma leva de cirurgias plásticas e injeções de “botox”: a cada vez que lhe é exigida uma caracterização mais dramática fica-se com medo que o seu rosto se desfaça – o que até não seria mal em se tratando de um filme de terror.
O resultado final é daqueles filmes que não muda a vida de ninguém, mas também não aborrece.
(crítica originalmente escrita em setembro de 2019)



















