«Wir Eltern» (Parents) por Filipe Silva

(Fotos: Divulgação)

O filme esteve presente – fora de competição – no Festival de Locarno

A gímnica entre o documentário e a ficção é quase tudo em Wir Eltern (Parents), filme onde o documentarista Eric Bergkraut e a argumentista Ruth Schweikert transportam a sua vida familiar para o grande ecrã através de uma ficção autobiográfica filmada no seu próprio apartamento e com os seus próprios filhos.

A história de dois pais politicamente corretos na sua abordagem à educação dos filhos é colhida frontalmente pelas atitudes e respostas dos dois, que sistematicamente contrariam as ordens de convivência paterna, sentindo-se o mais novo dos três irmãos o mais responsável de todos os que coabitam consigo.

Mais a mais, pelo meio de ação filmada num estilo ‘docudramédia’, pediatras, colunistas e psicólogos falam na primeira pessoa, numa espécie de separadores improvisados, abordando a educação dos filhos, os tempos modernos e as responsabilidades de lado a lado.

É um trabalho insólito, mais pela forma teórica como vemos o projeto depois de saber os dados com que se cozeu, que no arremate, mas que funciona como um grito de independência de uns pais que – incapazes de assumir a liderança Alfa da família – acabam por eles mesmo fugir, deixando os dois adolescentes entregues a si mesmos.

Ruth Schweikert não faz de si mesmo no filme (apenas trabalhou no argumento) e deixa essa tarefa para Elisabeth Niederer, que juntamente com o próprio Bergkraut entregam uma experimentação capaz de provocar tantos risos como frustração por a “corda” dada aos filhos parecer acima de tudo muito longa.


Filipe Silva

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