John Travolta e Morgan Freeman são meros bonecos num guião profundamente mediocre

Uma tentativa neo-noir que desfalece passados alguns minutos, The Poison Rose é a demonstração cabal que um elenco recheado de nomes consagrados enfiado num guião repleto de telhados de vidro e uma realização recauchutada só poderiam resultar num daqueles objetos que só se encontravam nos clubes de vídeo da década de 1980 e 1990.
Nesta tentativa de ser uma espécie de Chinatown, John Travolta é um detetive privado que regressa à cidade onde já foi um herói desportivo há muitos anos para seguir o rasto de uma mulher internada num hospício. Neste regresso, ele dá de caras com rostos familiares e vícios antigos, isto numa Galveston profundamente corrupta, vendida ao poder de um empresário local (Freeman).
O facto da ação se desenrolar em 1978 poderia ajudar a criar um certo ambiente e atmosfera, mas uma voz-off anti-clímax acentua os momentos de riso inadvertido que danificam irreversivelmente o tom e atmosfera.
Travolta, Freeman e Famke Janssen preenchem os seus bonecos made in clichés (detetives privados problemáticos, criminosos obscuros, femme fatales), cabendo a Brendan Fraser o papel mais curioso, entre o interessante e o bizarro, embora derradeiramente sejam pouco desenvolvidos para além dos lugares comuns. Para piorar, ainda se desperdiça Peter Stormare, isto num filme que a certo ponto se torna num whodunit ainda mais desinteressante após a morte arrogante e violento marido de Rebecca (Ella Bleu Travolta), a filha da personagem de Janssen.
Quando nos encaminhamos para o final, reviravoltas telenovelescas, sequências de ação demasiado modestas (aquele tiroteio!) acentuam a fraqueza de um filme onde os diálogos conseguem ser tão medíocres que nem a cinematografia ou a banda-sonora, nada memoráveis, conseguem transformar tudo isto em algo minimamente observável ou com ponta de estilo. A evitar…

Jorge Pereira

