«Good Sam» (O Bom Samaritano) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Comédia romântica em jeito Favores em cadeia (2000), O Bom Samaritano é uma reciclagem de conceitos sem nada a acrescentar.

 

Espécie de Favores em Cadeia (2000) com ambições de crowd-pleaser romântico e feel good emocional, Good Sam (O Bom Samaritano) é a mais recente prova que a Netflix se está a transformar num autêntico videoclube ao estilo dos anos 90, ou seja, repleto de registos telefilmicos de baixo orçamento, baseados totalmente na história (sem nada a destacar técnicamente), extremamente derivativos e reciclados de conceitos mais do que vistos.

Um estranho homem anda a deixar sacos com dinheiro nas portas de alguns cidadãos nova-iorquinos. A segui-lo está uma repórter (Tiya Sircar, de The Good Place) que acaba enredando-se num triângulo amoroso enquanto tenta mostrar a sua competência laboral numa estação de TV.

Filme (demasiado) ligeiro, cheio de lugares comuns, interpretações acertadas, mas pouco incisivas, originais e verdadeiramente atrativas, O Bom Samaritano exerce toda a sua força numa mensagem moralista de como criar um mundo mais justo e melhor. Mas fá-lo com um olhar nada crítico em relação ao que realmente torna a vida das pessoas complicadas (sempre os problemas monetários), assentando arraiais – como qualquer filme religioso ou parecido – numa ideia de que os milagres acontecem e que há boas e más pessoas, altruístas e sanguessugas que se aproveitam das situações.

É entretenimento momentâneo e descartável, um daqueles casos de um filme que existe para encher um catálogo e vender a mesma mensagem vezes sem conta, dando – no processo – ainda a hipótese dos românticos fantasiarem com a sua própria vida. Nada de novo, original ou bem reciclado. Nada de interessante, nada para ver.


Jorge Pereira

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