A história do Super-Homem esbarra em Omen e O Prodígio num dos filmes mais mercantis e fracos do ano

Uma criança alienígena cai no terreno de um casal numa zona rural dos Estados Unidos. O casal decide criar o menino como seu filho, mas passados alguns anos o rapaz começa a revelar poderes sobre-humanos e começa a ter atitudes que colocam em causa a família, os colegas e o próprio mundo.
Aproveitando-se da febre dos super-heróis, a família Gunn (James Gunn de Guardiões da Galáxia na produção, o seu irmão Brian e o seu primo Mark no argumento) entregam ao espectador uma variação da história do Super-Homem que faz uma simples questão: e se Homem de Aço fosse mau? O resultado é este Brightburn, um filme-vampiro desinspirado que se apropria de ideias alheias (do herói da DC, a Omen e ao mais recente O Prodígio) para entregar uma história plastificada, nada reflexiva e fortuitamente derivativa com uma máscara de inovação.
Parece que hoje em dia basta um pequeno twist nos enredos para criar questões pseudo-filosóficas, quando na verdade são apenas releituras e reciclagens que tomam conta do mercado via marketing direcionado. E se o Super-Homem fosse mau? E se o Capitão América fosse uma mulher? E se no próximo Vingadores um herói saísse do armário? O que fariam eles? Na verdade, e no que toca à primeira questão, a personagem faria o que quase todos os vilões fazem nos filmes do género: livrava-se de todos os inimigos, encontrariam aliados para satisfazer os seus propósitos imediatos com o objetivo final de dominar o planeta, a galáxia, ou o universo.
Brightburn é isto, um acaso, uma desculpa esfarrapada para fazer um filme, que falha ainda na total incapacidade de mostrar um centro oeste norte-americano regido por hipocrisias. Resume-se assim a algo que baseia toda a sua existência nessa mudança do bem para o mal, entregando em tudo o resto, narrativa, diálogos, visual, etc, uma mão cheia de lugares comuns que até chega a fracassar no objetivo máximo da sua existência: o entretenimento. Problemas na montagem, um claro desnivelamento no ritmo, e a pouca consistência das personagens, que vão alterando comportamentos sem uma gradual evolução (as suas psiques devem ter um interruptor), são os principais sintomas deste pechisbeque da cultura cinematográfica “comic book” – onde até as tentativas de terror são falhadas por jump scares mais que rotineiros e previsiveis.
Em suma, Brightburn diz ser um filme de terror, mas é um produto de 2ª linha num mercado que acha que renovar é virar o disco e tocar o mesmo. Uma perda de tempo graças à família Gunn.

Jorge Pereira

