
Centro e Periferia, intelectuais e “povinho” são o campo da batalha de costumes nesta tentativa de Commedia all’italiana assinada Riccardo Milano que não consegue entregar mais que um punhado de sorrisos baseados nos mais frequentes clichés e lugares comuns.
Giovanni (Antonio Albanese) trabalha para um laboratório de ideias que visa reconstruir os subúrbios italianos e procura ajuda A sua esposa está pela Provença a cultivar lavanda e a pequena Agnese, filha do casal, apaixona-se por Alessio, um miúdo de 14 anos que vive no bairro dos subúrbios romano de Bastogi, famoso pelos piores motivos. Assustado com o relacionamento da filha, Giovani decide segui-la até esse bairro, acabando por cruzar o seu destino com a mãe do namorado da filha, Mónica (Paola Cortellesi), a qual também não gosta nada que o filho ande com alguém ligado à classe alta e política.
Nesta batalha de costumes, aparências e hábitos, tantas vezes vista no cinema italiano e francês, não só dentro das cidades, mas em todo o país (basta pensar na rivalidade Norte-Sul e nas comédias feitas a partir disso), sobressai o facto de a cultura que cada um possui define uma espécie de superioridade social, económica, cultural e até moral. Um dos pontos mais interessantes é a separação das águas entre os crentes na política (e na União Europeia) e os “antipolíticos”. Se os primeiros não conseguem aproximar-se dos segundos e entender realmente os seus problemas e modos de vida, estes últimos não acreditam nem um pouco nos primeiros, não só porque crêem que eles beneficiam sempre os mesmos – da sua esfera social-, mas porque genericamente são corruptos. É a forma de ver a política desde sempre, onde a luta de classes acentua o fosso entre uns e outros, abrindo espaço para uma contrarreação que tem levado à ascensão do populismo, a dos supostos antipolíticos que chegam ao topo desse mesmo poder.

Claro está que ao apoiar as personagens destes dois grupos em praticamente nenhuma ambiguidade, e definindo-os através de meros arquétipos, tudo se resume a gags atrás de gags em torno de PseudoInteletuais Vs Pirosos; ricos vs pobres; cidadãos de 1ª vs cidadãos de 2ª. Salva-se, no meio disto tudo, a prestação com algum carisma de Cortellesi, acompanhada por Albanese, aqui entregue a uma figura formatada mas pronta à aproximação à outra facção.
Porém, fazem mais rir as gémeas Pamela e Sue Ellen (sim, como em Dallas) quando aparecem em cena para sketches esporádicos em passerelles contínuas de mais clichés. No final, nem rimos muito, nem pensamos em nada, pois já o tínhamos feito nos mil e um filmes semelhantes e bem melhores que este (Bem-Vindos ao Norte, Sul, são só dois exemplos).

Jorge Pereira

