Diane a les épaules: uma barriga de aluguer entre a comédia, o desejo e a liberdade

(Fotos: Divulgação)

Depois de diversas curtas-metragens, algumas das quais centradas na parentalidade, como Le Sens de l’orientation e Un chien de ma chienne, Fabien Gorgeart apresentou a sua primeira longa-metragem, Diane a les épaules (2017), uma comédia com elementos dramáticos que coloca uma mulher como barriga de aluguer para um casal de amigos gay.

As primeiras cenas do filme mostram logo quem é Diane, numa prestação cheia de carisma de Clotilde Hesme. Num jogo de engate, ataca verbalmente a “falta de qualidade” dos dentes do homem que tenta seduzir num bar apinhado e repleto de música. Depois disso, passamos imediatamente para a gravidez, para o seu processo, e para a forma como, pelo caminho, ela se relaciona não só com o casal amigo, mas também com um novo pretendente: Fabrizio, interpretado por Fabrizio Rongione, habitué do cinema dos Dardenne.

Os dois não podiam ser mais diferentes. Fabrizio é mais tradicional nas relações, e só a sua reação quando Diane lhe diz que está grávida mostra logo a forma como a personagem irá lidar com a situação: sempre com um sentido de frustração perante a evolução desta Diane tão livre, tão dona de si, tão despreocupada com as ações, mas certamente marcada no seu interior, embora protegida por uma camada exterior de aparente força. É uma mistura da heroína rohmeriana com a Ripley de Alien (1979), como o próprio realizador a descreveu, com Hesme a dar-lhe uma dimensão de mulher da Nouvelle Vague atravessada pelas certezas e incertezas dos dias de hoje.

É assim, entre a comédia, o drama e a prestação marcante de Hesme, que o filme se cose, nunca aprofundando de forma expedita o tema das barrigas de aluguer, mas também nunca o tratando de forma superficial, como se fosse um mero dispositivo para uma comédia tola ou um drama sobre uma mulher contemporânea.

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