«The Equalizer 2» (A Vingança) por Ilana Oliveira

Um filme de ação um pouco desastrado, com a sua parcela de relevância social, é o que se pode retirar de Equalizer 2 – A Vingança. O segundo filme da saga criada por Antoine Fuqua devolve aos ecrãs o super-herói humanizado de Denzel Washington e confere maior profundidade às suas personagens.

O argumento e a realização falham em pontos específicos, ao mesmo tempo que acertam fortemente noutros. O trabalho de Fuqua na realização é um conjunto de movimentos de câmara arrojados que, em diversas ocasiões, não resultam, já que o cineasta não consegue encontrar o seu ponto de equilíbrio. A violência gráfica herdada do primeiro filme, o uso gritante de CGI e a semelhança com videojogos nos momentos mais tensos da trama apenas ajudam a deixar o espectador sob o efeito de tonturas, o que em nada acrescenta à mensagem que se pretende transmitir.

O argumento, o pior aspeto de Equalizer 2, tem apenas um momento de glória. Depois de apresentar diálogos demasiado superficiais entre as personagens de Pedro Pascal e Denzel Washington, a história do filme apresenta-nos Miles, interpretado por Ashton Sanders — espetacular em Moonlight. A relação paternal criada entre as duas personagens proporciona a melhor cena de todo o filme, com um diálogo profundo e digno de destaque, deixando a sensação de que ambos mereciam uma história só para si.

O trabalho de interpretação de Washington e Sanders é um presente para aqueles que esperavam ver um filme de ação já visto e revisto diversas vezes. Em contrapartida, a interpretação de Pascal é preguiçosa, muito por culpa daquilo que foi construído para a própria personagem, Dave York. Já no terceiro ato, o ponto de viragem do argumento é previsível, conduzindo-nos a uma conclusão igualmente previsível, embora nada fora daquilo que se espera de um filme do género.

No final, Equalizer 2 é um filme formatado, que se torna interessante apenas pela mensagem que procura transmitir através das suas subtramas — com destaque para a história do senhor Sam Rubinstein —, melhores do que a espinha dorsal do argumento.

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