«Black Sea» (Mar Negro) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Os filmes centrados em submarinos são quase todos associados a alguns dos momentos mais marcantes da história recente, sejam esses as grandes guerras que assolaram a Europa (1ª e 2ª Guerra Mundial), algumas batalhas no Pacífico e Índico (EUA-Japão) ou mais recentemente relativamente à tensa guerra fria entre os EUA e a URSS. O facto de estarmos perante uma fita que se passa no presente, tem como principal personagem um submarino, e que surge sem estar envolvido em nenhuma batalha (na verdade, já esteve no passado), é suficientemente refrescante para merecer uma atenção extra.

Após anos de trabalho para uma empresa e muitos sacrifícios pessoais, o capitão Robinson (Jude Law) é demitido sem apelo nem agravo. Quando lhe é oferecida a hipótese de ser o líder numa missão que envolve encontrar um submarino nazi repleto de ouro, ele não pensa duas vezes, e contacta antigos colegas e alguns russos (fulcrais já que a embarcação que têm em mãos é soviética) para esse trabalho. Porém, e no meio de um mau relacionamento entre os homens a bordo, pressionados a uma coexistência claustrofóbica, a missão que parecia fácil transforma-se num pesadelo e numa jornada pela sobrevivência.

Embora muitas leis da física sejam trucidadas e o relacionamento dos homens seja altamente instável para pessoas que nos disseram profissionais (embora já na «reforma»), Mar Negro consegue ter alguma tensão a espaços para cativar o espectador que goste de thrillers em alto mar e produzir alguns bons momentos, ainda que sejam visíveis as limitações orçamentais do projeto. O elenco não brilha, mas é suficientemente seguro para vestir personagens que aos poucos nos vão surpreendendo e desiludindo, sempre lideradas por um Jude Law como um sotaque escocês (de Aberdeen) demasiado carregado para o conseguirmos esquecer.

Esquemático, mas sem cair em demasiados clichés, Mar Negro é assim um entretenimento perto do razoável, embora tenhamos consciência que se não o virem, não perdem absolutamente nada…

O Melhor: O elenco consegue prestações seguras, ainda que limitadas
O Pior: Leis da física muito próprias e alguma inverosimilhança em alguns comportamentos


Jorge Pereira

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