Diamantes Negros remete-nos aos amigos Amadou (Setigui Diallo) e Moussa (Hamidou Samaké), adolescentes residentes de Mali, que são descobertos por um “olheiro” e levados para Espanha sob a promessa de virem a tornarem-se em futuras estrelas do futebol europeu. Contudo, os jovens descobrem da pior maneira que são vitimas de uma rede de tráfico, do qual é impossível sair.
Uma co-produção entre Espanha, Portugal (Fados Filmes) e Estónia, Diamantes Negros aborda um tema pouco explorado no cinema, mas de conhecimento geral mesmo para aqueles que vibram com o dito desporto rei. A fita dirigida e escrita por Miguel Alcantud revela-nos um lado obscuro do futebol, uma visão que transforma o desporto com mais adeptos do Mundo num negócio sem escrúpulos na marginalidade das leis da FIFA, equiparado mesmo ao tráfico humano. Este é um filme que se importa maioritariamente com a mensagem transmitida, mais do que enredo que tenta incutir e que a certa altura é perceptível o seu propósito como mero engodo panfletário, mas regido pelo realismo e naturalidade. No seu teor e a forma como conduz a narrativa, Diamantes Negros é competente e convincente, os desempenhos, mesmo não se destacando nesta esquematização da “miséria”, são sólidos e como no caso de Hamidou Samaké, envolventes até determinado ponto.
Este sim é um filme lançado sobre a relevância e a febre que o futebol atinge, ainda mais sobre o calor da “Copa”. Curiosamente, e mesmo tendo a produção portuguesa de Luís Galvão de Teles, a estreia de Diamantes Negros foi passando despercebida e sem qualquer destaque em cartaz, talvez por tecer um quadro demasiado negro e abafador do “brilho” que o próprio desporto parece trazer. Esta é uma realidade que todos conhecem mas que muitos ignoram, e nesse propósito, a fita de Miguel Alcantud é um must da temporada.



















