«9 mois ferme» (Gravidez de… alto risco) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Ariane Felder (Sandrine Kiberlain) é uma juíza rígida e viciada no trabalho que não tem espaço para uma vida fora da profissão. Na noite de passagem de ano é «arrastada» pelos colegas para uma festa, algo que mudará para sempre a sua vida, mas que ela só irá descobrir uns meses depois quando o médico anuncia que está grávida. Sem grandes memórias dessa noite, Ariane parte em busca do que aconteceu e com quem teve sexo. A resposta está onde ela menos espera.

Comédia negra pontuada com boas interpretações de Sandrine Kiberlain e Albert Dupontel, que também realiza de forma dinâmica e altamente estilizada, 9 moins ferme sobrevaloriza-se em relação a produtos semelhantes pela prestação dos atores, diálogos curiosos, pela apresentação de um sistema de justiça francês no extremo da caricatura mas sem cair demasiado no exagero aparvalhado, e por pequenos detalhes de humor, como algumas pérolas slapstick e pequenas situações fora da própria história central, como o tradutor de linguagem gestual do telejornal.

Porém, e apesar do esforço dos primeiros dois terços desta farsa, o filme apenas não vai mais além porque estaciona a sua ambição no mero crowd pleaser passageiro quando chega o desenlace, tornando-se previsível, rotineiro, sem grande chama e entregue às formulas do género.

E embora a sua dupla de protagonistas esbanje qualidade, particularmente Dupontel, um ator super expressivo que dá ao seu criminoso uma unicidade over the top que cai sempre bem num filme que nunca se leva muito a sério, 9 moins ferme acaba sempre por se revelar mais limitado e menos subtil do que podia ambicionar.

O Melhor: Tem momentos de levar às lágrimas o espectador
O Pior: Torna-se muito previsível e rotineiro no desenlace


Jorge Pereira

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