Como muitos dos filmes de Vincenzo Natali, o espectador cai de paraquedas numa obra que o encorajará a procurar pistas para interpretar o enredo. Como sucedera a Cube ou Nothing, o cinema de Natali é marcado pelo seus exercícios de estilo e pelos puzzles narrativos que incute durante a demonstração do fascínio pela fantasia, quer ela seja cientifica ou como no caso de Haunter, o sobrenatural.

Protagonizado por Abigail Breslin, que para quem não se recorda foi a revelação infantil de 2006 que contou com a nomeação ao Óscar de Melhor Actriz Secundária pelo seu desempenho em Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos, Haunter é um thriller o qual o espectador nota uma dificuldade inicial em interagir com a intriga, composta por um interminável loop onde informações e explicações são descartadas na sua pseudo-introdução. Por outras palavras, as audiências são obrigadas a esforçar em acompanhar o filme nos primeiros minutos de duração, isso ou “mandá-lo para as urtigas“. Sendo que a última opção até poderia ser a mais correta, visto que Haunter tenta durante o seu percurso (tendo como “brinde” um susto ali e acolá) desvendar o enredo por vias de uma sucessão diversificada de twists enfadonhos e incomodativos para com o próprio raciocínio do espeCtador.

Com esta história de limbos, assombrações, possessões e telepatia espiritual, Vincenzo Natali evidencia sobretudo uma incapacidade de trabalhar com tal “salada russa”, a pretensão da astúcia converte Haunter num filme desonesto e o pior de tudo é que tende em cair no ridículo gradualmente, principalmente para aqueles que se esforçaram em juntar as peças pelo caminho. Felizmente os atores não defraudam, aguentando a “borrada” e a paciência do espetador que é posta à prova aqui (se aguenta ou não, esse é o teste).