«Jimmy P.» por Ricardo Du Toit

(Fotos: Divulgação)

Benicio Del Toro protagoniza este filme realizado por Arnaud Desplechin, que conta a história de Jimmy Picard, um soldado da Segunda Guerra Mundial que sofreu uma lesão na cabeça e que, após o término do conflito, teve como sequelas dores continuas e cegueira temporária. Por causa disso, é enviado para um hospital em Topeka, Kansas, onde conhece o doutor Georges Devereux (Mathieu Amalric), que tenta perceber o que se passa com ele.

A química entre Del Toro e Amalric é incrível, muito pelo facto de que, ao longo do filme, Devereux interessa-se pela vida de Jimmy, fazendo as perguntas certas e terminando por ouvir histórias fascinantes sobre a vida deste índio Blackfoot. Devereux é, na verdade, um antropólogo especialista em tribos indígenas que já viveu com os Mojave durante dois anos, o que faz com que o diálogo entre os dois seja simples e honesto.

O equilíbrio entre os contos da vida passada de Jimmy e a forma que ele está a lidar com as suas dores é perfeito, dando oportunidade ao espectador conhecer muito melhor a vida dele, que só por si, suscita curiosidade. Entretanto, a aparição de Madeleine (Gina McKee), amante de Devereux, não é tão explorada quanto poderia ser, ficando aquém das expetativas e deixando uma personagem que começou a ser aprofundada ficar-se a meio.

Apesar de arrastar-se por breves momentos, a simplicidade com que nos são mostrados os complexos de Jimmy valem esse tempo, com um filme que apresenta Del Toro e Amalric com alma e coração. Termino por dizer dizer que a obra desafia a definição de ser louco. Será que somos assim tão loucos ou apenas a nossa maneira de ser é que faz com que os outros nos vejam como tal?

O Melhor: A amizade de Picard e Devereux e as histórias que trocam
O Pior: Uma personagem feminina mal aproveitada.


Ricardo Du Toit

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