Nem tudo o que começa bem tem igual fim. Por exemplo, nesta altura do natal, comer bolo-rei pode ser muito prazeroso, no entanto, quando se encontra a fruta cristalizada, fica tudo estragado. Em Vive la France somos confrontados com excessiva “fruta cristalizada”, que faz com que apenas a primeira “dentada”seja boa.
A história foca-se em duas espécies de “Borat”, Muzafar (José Garcia) e Ferouz (Michaël Youn). Estes dois foram destacados pelo filho do presidente do seu pais – Tabulistão – para irem a França e colocarem o nome da nação nas bocas do mundo. Solução: serem mártires e fazer explodir a torre Eiffel.
Se esta introdução ao filme foi recheada de piadas e caricaturas – sátira ao fundamentalismo religioso, aos nomes dos países e aos bigodes farfalhudos do médio oriente – depois entramos num vazio narrativo. Esse vazio tenta ser colmatado por Marianne (Isabelle Funaro), uma jornalista que quer ajudar aquela dupla. Porém, ela serve mais de adereço do que de substância. Perdeu-se assim uma oportunidade de dar um rumo à obra.
Aliás, o maior problema da obra de Michaël Youn (o faz tudo deste filme) é que falha ao não ter direcção. À semelhança de Borat, vemos um passeio de 1h30 por, neste caso, França, onde as situações mais ridículas vão acontecendo. No entanto, em Borat as cenas eram trabalhadas para surgirem de forma natural e é isso que o fez resultar. Já no caso de Viva a França, a encenação de cenas tão estapafúrdias, não só não tem interesse, como já está mais do que visto.
Para culminar tudo isto da pior maneira, de repente a obra numa espécie de “Borats encontram Brokeback Mountain”, o que não resulta de todo. Assim, perdeu-se uma boa oportunidade para fazer uma boa sátira à sociedade Francesa e, ao mesmo tempo, criar uma história como fio condutor.
O melhor: Os primeiros 10 minutos do filme (com verdadeira piada).
O pior: Os restantes 80.

Nuno Miguel Pereira

