«Frozen» (Frozen: O Reino do Gelo) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

O progresso sempre andou de mãos dadas com o reconhecimento do passado. Para verdadeiramente saber inovar, há que sabe reconhecer e prestar homenagem ao que já foi feito. Muitas vezes, de forma a promover a evolução tecnológica e as histórias espampanantes, as pessoas esquecem-se que voltar à fórmula inicial pode e deve resultar. Se a isso juntarmos a parte visual mais progressista, temos um potencial sucesso.

Desta forma, se à magia da Disney, com uma história épica a lembrar os clássicos, juntarmos um visual recheado de tecnologia, somos presenteados com uma excelente obra de animação, que é a melhor forma de descrever Frozen – O reino do gelo.

Anna (Kristen Bell) e Elsa (Idina Menzel) são as princesas do reino de Arendelle: um sítio outrora feliz, mas que devido aos poderes incontroláveis de Elsa – que transforma tudo o que toca em gelo – tem de fechar portas.

No entanto, com a morte de seus pais, Elsa é a herdeira ao trono e assim é obrigada a abrir as portas mais uma vez, para a coroação. Infelizmente, o pior acontece e o seu descontrolo imergiu Arendelle num Inverno permanente. Quanto a Elsa, esta teve de fugir, refugiando-se nas montanhas gélidas do norte.

É neste momento que Anna decide ir atrás da irmã e tentar salvar o reino. Para isso, conta com a ajuda de Kristoff (Jonathan Groff) e da sua rena, Sven. No meio desta história, ainda temos tempo para um boneco de neve falante – Olaf (Josh Gad) – e um plot twist com cambalhota à retaguarda, já bem perto do final.

Em Frozen foi-se buscar uma receita antiga (já do tempo da Branca de Neve e mais recentemente de Entrelaçados), onde se procura juntar o épico com o musical. Para não fugir à regra de obras anteriores, a banda sonora é incrível. Tendo a capacidade de, para além disso, ter um enredo que, apesar de típico, não é completamente óbvio.

Porém, nem tudo podem ser rosas. O início da obra é algo extenso, com excessivo recurso às canções, sem que haja sempre nexo para isso, caindo no exagero. Outro pequeno percalço prende-se com o pouco desenvolvimento da personagem Kristof que, inicialmente, mais parece um mero secundário.

Porém, no final tudo se compõe e somos presenteados com um clássico modernizado pelas técnicas visuais mais recentes. Destaque para o 3D que ajuda a adensar a magia do universo de Arendelle.

Esta é a prova que para saber inovar é preciso respeitar o passado.

O melhor: A banda sonora e o plot twist
O pior: Kristof é pouco desenvolvido. Existem excessivos momentos musicais no início.


Nuno Miguel Pereira

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