Um oficial israelita regressa vitorioso da batalha exibindo o seu troféu com os órgãos sexuais dos soldados palestinos que fez tombar. Maravilhado, um garoto fervoroso elogia os seus feitos e diz-lhe que já tem um lugar cativo no céu, ao que o militar descrente propõe a troca por um prato de ovos durante um mês. O contrato é assinado e finda a troca, quarenta anos depois, o militar reformado vê o seu filho seguir o mesmo trilho religioso. Até que este assume o destino de conseguir anular tal contrato. Pois se não o conseguir o pai irá para o inferno.
Mesmo desconhecendo os rituais religiosos históricos da região, percebe-se que a intenção do realizador é abrir o livro da interpretação. O que não o livra de alguma dificuldade em seguir estas tramas que evoluem separadas por meio século.
Madmoni revela que é um realizador experiente. Estudou realização em Jerusalém, trabalhou em televisão e levou os seus anteriores filmes a Sundance. Numa obra caracterizada pelo usando da ambiguidade e a relação entre pai e filho como elemento causal nos seus filmes – na verdade, dedica mesmo este filme ao seu pai – acaba por deixar aqui um ângulo pertinente, diverso, ainda que numa conclusão que parece dizer: “se temos um bom filho, teremos salvaguardado o nosso lugar no céu”…
Como homenagem, fica bem.

Paulo Portugal

