«3096 Tage» (3096 dias) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

Este é um filme baseado na autobiografia de Natascha Kampush. O ambiente indie europeu nota-se deste o primeiro momento, onde a cena começa com um longo plano de neve e uma frase que se pretende profunda, mas que nada diz.

Depois existe a parte do filme (curta) onde aparecem os pais, que mais não são que figuras ornamentais que nada acrescentam. Em menos de 15 minutos Natascha é raptada e imediatamente surge um repentino Síndrome de Estocolmo, onde a jovem começa a sentir ternura pelo seu raptor. Esta rapidez é a principal falha do filme.

A construção da narrativa é outra das grandes falhas, parece que folhearam o livro, abriram em capítulos aleatórios e representaram-no no filme, tornando as cenas desligadas umas das outras e com pouca capacidade de agarrar o espectador. A dor torna-se pouco credível e forçada. A ajudar à festa está o facto de o raptor (Thure Lindhardt no papel de Wolfgang Priklopil) estar abaixo do aceitável em termos de interpretação. Quanto a Natascha (Antonia Campbell-Hughes), devo dizer que é ela que consegue fazer com que o espectador se ligue às imagens que vê, sendo a única que tem uma interpretação digna de registo e que segura a narrativa.

Em relação à história, é contada de forma desgarrada e com demasiada leveza e superficialidade, ao estilo de telefilme. Só algumas cenas, onde o sofrimento parece real, se salvam.

O melhor: Algumas (poucas) cenas que mostram uma pequena parte do sofrimento que a Natascha viveu.
O pior: A forma desgarrada e superficial como a história é contada. O raptor esqueceu-se de “raptar” o jeito para representar


Nuno Miguel Pereira

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