«Hummingbird» (Redenção) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

A primeira reacção depois de ver o filme foi, “Bolas, fui enganado!“. No trailer, Jason Statham (Joey, neste filme) surge a desferir pancada em tudo o que mexe, numa pretensa história de vingança e o filme parece ser isso. Tal não poderia ser mais errado, o trailer induz o espectador completamente em erro. Sem querer entrar em spoilers, Steven Knight realizou a obra de forma a tentar que Statham, imagine-se, representasse. Eu sei que isso pode parecer uma loucura, mas de alguma forma, acabou por resultar. A premissa é de um homem (Joey) que deserta da posição onde estava no Afeganistão e acaba a viver como sem-abrigo. Como factor adicional temos o facto de sofrer de stress pós-traumático e alcoolismo. O início da obra mostra uma série de sequências algo ridículas, onde devido a uma dose elevada de sorte e irrealismo, Joey acaba numa casa gigante, desocupada durante 3 meses, com acesso a dinheiro e carros. Depois, a sem-abrigo (e prostituta) com a qual Joey dividia o caixote é espancada até à morte e é aí que percebo que o filme não nos vai mostrar Jason Statham a dar pontapés em tudo o que mexe. É até bastante comedido.

Ao contrário dos enredos típicos de vingança, onde os atores são explorados superficialmente, neste caso o protagonista ganhou uma dimensão mais intima e observa-se a exploração dos seus demónios interiores e do seu passado, à medida que a narrativa se desenvolve. Aqui apercebemos-nos que Statham está num registo Indie e a história que guia o filme passa para segundo plano, sendo a dimensão pessoal dos personagens o mais importante.

Finalmente, é nos apresentado o melhor do filme: a freira. Agata Buzek (a freira Cristina) foi a maior surpresa. Com um sotaque polaco carregado e um jeito meio desajeitado, a sua personagem era rica a todos os níveis. Longe de ser imaculada, acaba por ser ela a proporcionar-nos os momentos onde existe a maior exploração de emoções. Quanto a Statham, muito bom nas suas cenas de pontapés e socos, menos brilhante e algo limitado nas cenas que pedem envolvimento mais emocional (no entanto vai ser possível vê-lo chorar, provando que este filme só pode ser independente). Há que dizer porém, que a sua actuação esforçada deu a credibilidade necessária para não estragar o filme. No final, só é pena que a história que dá origem ao filme seja contada de forma algo trapalhona.

O Melhor: A freira, a exploração emocional e dramática do filme. O início onde podemos ver Statham com cabelo.
O Pior: A história, existem algumas cenas completamente irrealistas.


Nuno Miguel Pereira

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