Este filme é suposto ser aquele que conta a verdadeira história da captura e morte de Bin Laden. Aparentemente, Zero Dark Thirty abriu precedente para um novo género cinematográfico, o”Bin Ladismo“. Até poderia desculpar o facto desta obra ter chegado um pouco da outra, mas para isso era preciso ter qualidade, o que não aconteceu.
O facto de ter sido feito para TV e passado diretamente para Home Video preparou-me para o que aí vinha e parece que não me enganei. John Stockwell (que espero que não leia esta crítica, para salvaguardar a minha integridade física) constrói uma narrativa trapalhona. A forma como filma varia entre o falso documentário e o filme de pseudo-acção de domingo à tarde. Logo de início, surge uma cena que mete urinóis, que ainda estou a tentar perceber a pertinência, tanto da situação, como da forma como foi filmado. Depois temos a tentativa de impor um clima dramático na narrativa, utilizando atores que mais parecem saídos de sitcoms. E aqui deve-se fazer a distinção entre dois tipos de maus atores. Os atores maus em piloto automático que interpretam analistas e os maus atores, embora esforçados, que fazem de militares.
Do primeiro grupo, destaco Eddie Kay Thomas e Kathleen Robertson. Eddie, achou que este filme era American Pie e Kathleen parece uma má imitação da personagem de Jessica Chastain em Zero Dark Thirty, o que tornava os momentos em que apareciam, penosos e a roçar o ridículo. Já os diálogos pareciam conversa de circunstância, o vulgo “para encher chouriços”.
Em relação ao segundo grupo, foi a única parte que foi salvando o filme. Quando passamos a ver a história pela perspetiva de militares, a fita ganhou alguma dimensão dramática e via-se que os atores até eram esforçados. O problema é que essa parte foi curta e a narrativa depressa voltou para a perspetiva dos analistas e dos directores da CIA, o que acabou por ser uma colagem ao filme que lhe precedeu.
Enfim, fico-me a perguntar porque raio é que este filme vai passar no cinema em Portugal?
O melhor: O filme só tem 1h30 de duração e algumas cenas que mostram o drama pela visão dos militares.
O pior: Estar a pensar no almoço, ainda o filme nem vai a meio, não é um bom sinal.

Nuno Miguel Pereira

