«Man of Steel» (Homem de Aço) por Ricardo Du Toit

(Fotos: Divulgação)

Depois de Bryan Singer tentar reviver o super-herói mais famoso da DC Comics, o homem-de-aço sofre mais um reboot, agora renovado e mais forte que nunca.

Deparamo-nos novamente com uma história de origem, com uma intensidade mais profunda, que nos dá a conhecer melhor os pais de Kal-El. O filme começa logo no momento em que o pequeno herói nasce e percebemos melhor o mundo de Krypton e qual a razão de Jor-El e Lara terem enviado o filho para a Terra. Felizmente, esta introdução não é de todo algo que sentimos que poderia ter sido excluída, dando uma nova perspetiva sobre o que realmente aconteceu.

As cenas em flashbacks, que contam a infância e a adolescência do Super-Homem, mostram o quão ainda mais difícil é ser um adolescente – agora que ele tem que aprender a lidar com os seus poderes.

Henry Cavill como o homem-de-aço traz um herói que apenas quer compreender quem é, mas que não se importa que o deixem sossegado no seu canto. O facto de ser obrigado a usar os seus poderes, força-o a ter que ser um nómada e a mudar de identidade com alguma regularidade.

Opondo-se a ele está o General Zod (Michael Shannon), que é dos vilões mais mortíferos. Sem sentimentos e sem piedade, invade a Terra para defender os seus ideais, juntamente com o seu pequeno exército de extremistas ideológicos. O facto de até simpatizarmos um pouco com eles, e compreendermos o seu lado, não nos convence totalmente que têm razão.

A nova Lois Lane (Amy Adams) felizmente nunca é um fardo, mas sim alguém importante no meio de tudo isto, sendo ela a confidente e amiga de Clark Kent e, apesar de representar a figura feminina independente, nunca é rígida na sua posição.

No que diz respeito à realização de Zack Snyder, esta é cuidada e sólida, muito por fruto da colaboração com Christopher Nolan no argumento e na produção, ganhando as personagens facetas mais humanas e objetivos mais reais. Aliás, quem viu a trilogia de Batman de Nolan sabe bem o que esperar. Curiosamente, nota-se uma clara influência de J.J. Abrams, sobretudo nas cenas onde vemos algo a voar, seja uma nave ou o próprio Super-Homem. O elemento sci-fi no filme é forte, mas nada que deixe o espectador confuso.

Incrível é a destruição da cidade nos últimos 45 minutos de filme. Estas são das cenas mais irreais alguma vez vistas, numa autêntica luta de titãs onde a luta do bem contra o mal nunca foi tão intensa, sobretudo ao que segue para um clímax controverso e que certamente irá dividir opiniões.

O 3D IMAX, apesar de não ter contribuído com nada de especial, certamente faz algum jus ao slogan de “fazer parte dum filme”. O som é de facto imersivo, enquanto a imagem é consideravelmente melhor que o 3D regular, sendo mais clara e detalhada.

Finalmente, há que notar a enorme diferença de objetivos entre alguns filmes recentes da DC Comics (Watchmen e a trilogia de Batman) e os da Marvel. Enquanto que a DC foca-se no lado mais humano e de terem uma história mais “realista”, com algum espetáculo à mistura, a Marvel tem entre as mãos filmes que se focam mais no espetáculo, deixando que ele faça parte da história. Dito isto, não digo que os filmes da Marvel sejam maus de todo, mas é interessante ver o contraste entre ambas as empresas e a forma como lançam as suas adaptações cinematográficas ao público.

No todo, estamos assim perante uma boa adaptação, mais que suficiente para esquecer Superman Returns e dar agora rumo à DC Comics. Se estes jogarem bem as cartas que têm, poderemos ver coisas muito boas em breve.

O Melhor: Um reboot decente com uma atenção à história e a realização de Zack Snyder.
O Pior: Era preciso destruir aquilo tudo?


Ricardo Du Toit

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