IndieLisboa 2013: «Leones» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

(Critica com Spoilers)

Se Ray Wise e a família se perdiam numa estrada sem fim e repleta de perigos em Dead End, os adolescentes de Leones encontram-se em similar situação mas num denso bosque. Porém e ao invés do filme escolher a comédia negra, o thriller ou o terror para mostrar os passos dos nossos Perdidos, Jazmín López dá uma lavagem arthouse dramática com influências de Antonioni, Reygadas, Malick e Lisandro Alonso, ainda que caindo mais na sensação entediante de Gerry de Van Sant (que já remetia para Antonioni e Béla Tarr), não fossem as personagens andar, andar, andar, andar, andar, andar, andar e andar, tendo muito pouco para dizer ou mostrar.

No final chegamos assim a mais um pastiche “I See Dead People!” (frase que até é citada), residindo a grande diferença na abordagem atmosférica e sensorial que a cineasta dá ao filme, repleto de planos longos  – alguns bastante belos, entre a contemplação, o mistério e a fantasia – mas tudo construído sob personagens de cartão reciclado onde as maiores lembranças que retemos são um jogo de Volley sem bola e uma cena de cariz sexual (para além da natural sequência em torno de um veículo acidentado).

Mais grave são os diálogos pretensiosos, estranhamente inócuos e pouco memoráveis que a película nos oferece (alguém se lembra deles depois do filme?), fazendo mesmo crer que para se ter a atenção de grande parte dos festivais de cinema hoje em dia, basta fazer um facelift artístico com a repescagem de inspirações/citações de autores clássicos (Antonioni, Hemingway), um passo lento e contemplativo, , o cuidado estético exarcebado, e a já habitual frieza sentimental mascarada de sobriedade do lançar mais perguntas que respostas. Sim, tal como no cinema mais comercial, há indies que se regem por fórmulas ou equações…

Este é um deles…

O Melhor: A cinematografia e boas fontes de inspiração
O Pior: Diálogos pretensiosos e acima de tudo inócuos, não aproveitando as boas influências.


Jorge Pereira

 

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