«Hansel & Gretel: Witch Hunters» (Hansel & Gretel: Caçadores de Bruxas) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

A verdade é que, se na minha última crítica o filme estava centrado num desastre natural (“O Impossível”), este último que vi é um verdadeiro desastre natural. Hansel e Gretel (Jeremy Renner e Gemma Arterton, respetivamente), são dois irmãos que perdidos na floresta vão dar a uma casa feita de doces. Até aqui a premissa é igual ao conto original. Depois, é vê-los matar a bruxa e todas as outras que lhes apareçam pela frente, sempre em cenas de morte a carregar no “gore”. Aqui torna-se importante fazer a primeira ressalva a um pormenor do filme, Hansel, de comer tantos doces na casa da bruxa, torna-se diabético (ou como lhe chamam, sofre da “doença do açúcar”).
 
A partir daqui temos bruxas com a maquilhagem do filme “The Grudge”, cenas de morte ridículas e um ogre chamado Edward (o nome do ogre foi a única coisa que me fez rir no filme). As partes de aligeirar a ação e dar um tom de comédia couberam, adivinhe-se, ao “sem expressão” Hansel, que até teve direito a um romance relâmpago, com direito a amostragem de seios em 3D.
 
Assim até parece que descrevi um filme de série B, não é? A verdade é que se este filme se tivesse assumido como um filme de série B (do género “Machete”, por exemplo), isso até poderia ter funcionado. A questão aqui é que o filme deambulou entre o pitoresco e a temática excessivamente séria, que envolvia a infância trágica dos irmãos. Ora, o facto de nunca se ter assumido nem uma paródia, nem um filme de terror, nem um filme sério, transformou-o, com naturalidade, num desastre. 
 
Acho que nem toda a publicidade, feita às custas das curvas da Gretel, fará as pessoas aderirem ao filme.
 
Agora vou enunciar as cenas em que o 3D fez sentido: … Já está. (Acabei de ser injusto com as curvas da Gretel, que em 3D ganham outro dinamismo).
 
Apesar do constante pesar, houve uma actriz que se destacou, até porque pareceu ser a única que estava empenhada no filme. Famke Janssen cumpre muito bem no seu papel de grã-bruxa e acaba por ser a única que consegue prender, ainda que momentaneamente, a atenção de quem vê o filme. 

O Melhor: O ogre Edward e Famke Janssen.
O Pior: O 3D, as piadas, o Hansel, a Gretel, os efeitos especiais, a história, o guarda-roupa, a maquilhagem…
 
 
 Nuno Miguel Pereira
 

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