Ellison (Ethan Hawke) é um escritor, cujas temáticas incidem sobre crimes que ficaram por resolver, que procura um novo sucesso na sua carreira. Para isso, e passados já 10 anos do seu único sucesso, Ellison decide mudar-se com a família para a casa onde uma família foi assassinada brutalmente, sendo que uma das crianças nunca foi encontrada. Esse será o foco no seu novo livro. A partir deste momento observamos Ellison a tentar obsessivamente tentar desvendar o mistério, na busca pela fama e sucesso. O ponto central da história são os filmes em super 8 que ele encontra na casa e que mostram os crimes a ocorrerem, tanto os daquela família, como os de outros casos mais antigos e igualmente macabros.
Inicialmente o filme exibe um ritmo quase de thriller, muito ao género do que se passava em «Zodiac» de David Fincher. Nesta altura, pensamos andar à procura de um serial killer. Só a banda sonora, que torna o ambiente semi-aterrador, é que nos lembra que se trata, também, de um filme de terror.
Porém, depressa percebemos que algo de sobrenatural está por trás do crime, nessa altura o filme ganha um outro ritmo, mais ao estilo do terror.
Scott Derrickson (O exorcismo de Emily Rose) utiliza o found footage para ir contando a história. A forma como esse found footage é utlizado acaba por resultar muito bem aqui. Nesta obra, nós vamos vendo os vídeos em super 8, que vão desenvolvendo a narrativa, ao mesmo tempo que Ellison os vê e acabamos por ir desvendando o crime em simultâneo com o protagonista. Desta forma, juntamente com os constantes planos próximos do rosto de Hawke, a história ganha intensidade dramática e um clima de calafrios. É verdade que não vamos dar saltos na cadeira, mas não vamos conseguir descolar os olhos do ecrã. Essa necessidade de continuarmos sempre a ver os cenários, progressivamente mais macabros, pretende-se com o voyeurismo que o filme suscita e estimula. Apesar das sequências dramáticas, nós queremos continuar a ver o que vai acontecer e retiramos algum prazer das cenas mais retorcidas. Principalmente nas alturas em que o filme nos brinda com um sentido de humor muito, mas mesmo muito negro. Dei por mim a rir (ainda que de forma envergonhada), nas situações mais trágicas.
Destaque agora para os atores. Ethan Hawke tem uma prestação muito competente e eficaz no seu retrato de escritor, que começa por estar obcecado com a ideia de escrever o livro, mas acaba por viver atormentado e com medo de tudo o que se passa à sua volta. Para além de Hawke, James Ransome tem uma prestação muito positiva, e igualmente engraçada, como investigador da policia local. Inicialmente pensamos que ele é apenas um provinciano, mas rapidamente percebemos que ele é bem mais do que aquilo que parece, acabando por ser o braço direito de Ellison.
No meio disto tudo vão surgindo alguns clichés típicos de filme de terror, desde as máscaras, à maquilhagem.
Apesar de tudo, um filme que os amantes do género vão gostar e que os outros (onde eu me incluo) vão conseguir ver sem sacrifício.
O melhor: O “found footage” resulta bem. As prestações de Ethan Hawke e James Ransome.
O pior: Alguns clichés típicos. O facto de não ser nem bem um Thriller, nem bem um filme de terror.
| Nuno Miguel Pereira |

