Cada vez mais os filmes são feitos como parte de algo maior. Não há filme que saia que não seja apresentado como parte de uma trilogia, futuro mash-up estilo “Os Vingadores” ou “Justice League“, com “spin-off” televisivo incluído. O braço mais comercial de terror atual, “Atividade Paranormal” (Paranormal Activity), não é excepção à regra. Neste caso, o efeito é prejudicial. É que nada em PA4 é tratado como definitivo e derradeiro, mas sim como provisório e intercalar para o já confirmado quinto filme e “spin-off” em língua espanhola que sairá antes.
Isto é uma pena, até porque ao contrário do que as críticas menos favoráveis que o filme teve deram a entender, PA4 é um filme com bastante virtudes, e até melhorias, face aos anteriores. Alex e o seu namorado são os protagonistas que partilham tudo online e quando não estão juntos estão a falar pelo computador ou pelo telefone. Por tal, sempre a filmar e a gerar o tal material que é “magicamente editado” por quem fez o filme (porque claro, isto são imagens “reais” mas não há nada de realista na forma como nos são apresentadas).
O contexto muito 2012 favorece esta obra e a verdade é que Alex e Ben são os anfitriões mais divertidos e interessantes que a saga ofereceu. O contexto web permite-lhe falar intrusivamente para o espectador ou a serem mais ativos na busca de respostas. Na parte intermédia, o filme consegue ter alguns momentos divertidos e de tensão bem elaborados.
Mas como qualquer saga feita a alta velocidade, PA4 oferece pouca ou nenhuma evolução na história da série – contenta-se com lançar mais pistas e muita ambiguidade. Nota-se que é um filme que começou a ser escrito em janeiro, foi filmado em Jjunho e estreado em outubro. Nada foi revisto ou pensado uma segunda vez, e em boa verdade tem imensos elementos narrativos que são duplicações de coisas que vemos no primeiro e no terceiro filme. Isto não significa que funcione – como filme de sustos para um público formatado para “reality shows” e para os fãs de terror globalizado. Aliás, Henry Joost e Ariel Schulman (do terceiro e do brilhante documentário “Catfish“) são muito criativos com a câmara – por vezes ao ponto de se esquecerem que isto ainda é um filme “found footage”. O filme tem um bom ritmo e oferece bons momentos de tensão – mas é um passo atrás face ao terceiro. Porque a virtude de PA3 era oferecer novos sustos e novidades sobre a mitologia – aqui apenas vemos uma repetição.
Os últimos 40 segundos de PA4 oferecem sustos suficientes para fazer os espectadores gritarem tudo aquilo que queriam (facto ocorrido na sessão que vi) mas a verdade é que a fita está apenas a jogar pelo seguro face ao que PA3 fez.
Considerando a inclusão de elementos já confirmados para um quinto filme (o tal perfil estranho do Facebook) e para o spin-off latino (aparece uma cena após os créditos), é difícil achar especial um filme tão declaradamente feito como “parte 4 de 6“.



















