«Essential Killing» por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)
Este novo filme do polaco Jerzy Skolimowski é uma obra totalmente atípica. É um filme político mas consegue ser neutral, é um filme humano mas consegue-o através de revelar o mínimo das suas personagens e conta com um protagonista numa performance brilhante, apesar de não dizer uma única palavra.
Um homem árabe enfrenta e mata três soldados americanos em pleno deserto. Ele é capturado e levado para uma base militar, onde é torturado. Mas quando o decidem transferir, ele escapa. Desesperado e cheio de fome, ele percorre descalço uma bosque gelado num país misterioso enquanto os soldados o tentam caçar.
«Essential Killing» é um filme de sobrevivência, com uma premisa que na realidade em pouco diferente do primeiro ‘Rambo’ ou de ‘The Fugitive’: a não ser na sua devoção pelo realismo e a neutralidade. O árabe sem nome e sem diálogos, brilhantemente interpretado por Vincent Gallo, não é um heroi, mata pessoas e chega a atacar inocentes. Mas faz isso para sobreviver e porque está a ser alvo de uma violenta caçada. Entregue à fome num bosque misterioso, percebemos o que faz porque Skolimowsky coloca-nos ali com ele, em desespero.
O ritmo do filme eventualmente quebra, e o final parece algo vago demais. Na realidade, o filme acaba por terminar como uma versão pouco ambiciosa de ‘The Road’. No entanto, na sua maioria, «Essential Killing» é um exercício de cinema: belo na sua fotografia, emotivo nas suas personagens e realização. É raro e louvável ver um filme que fala sobre o paradigma Oriente/Ocidente com uma neutralidade tão bem medida. Nunca percebemos se este árabe é um terrorista ou um sobrevivente, nem a legitimidade com que o caçam. Mas percebemos o desespero que é viver em fuga.
O Melhor: Vincent Gallo consegue uma performance completa sem diálgos.
O Pior: O fim é vago e menos ambicioso que o resto do filme.
A Base: «Essential Killing» deixa a polémica do nosso lado. Neutral mas emocional, põe-nos no pés de um árabe em fuga. 8/10
José Pedro Lopes

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