‘And Soon the Darkness’ (E a Noite a Cair) por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)
Duas jovens americanas , Stephanie e Ellie, estão a percorrer a fronteira entre a Argentina e o Paraguai de bicicleta. No último dia das suas ferias, elas decidem ir sair à noite na pequena aldeia de Alemenia, para celebrar. Stephanie, a responsável, volta para o hotel mas Ellie – “a devassa” – fica até tarde a divertir-se.
 
A noitada acaba por fazer com que as jovens percam o autocarro que as ia levar de volta a Buenos Aires. Zangadas, elas separam-se. Mas quando Stephanie tenta encontrar a sua amiga, depressa percebe que algo terrível lhe aconteceu.
 
‘And Soon the Darkness’ começa e desenvolve-se como a grande maioria dos filmes “survival horror” na herança de ‘Massacre no Texas’: miúdas da cidade de férias no interior (neste caso, americanos na América do Sul como em ‘Turistas’) que procuram sarilhos e eventualmente os encontram. No entanto, apesar da forma sobre-explorada, o filme de Marcos Efron é melhor conseguido que a media da sub-categoria. Desviando-se dos excessos hediondos do “torture porn” (‘Hostel’ e semelhantes), aposta mais na construção de suspense e no ambiente recluso da Argentina profunda. Tanto que a tensão só se materializa no terceiro acto do filme, estando até lá entregue às duas protagonistas e às personagens que conhecem.
 
Aqui surge uma verdadeira surpresa: Amber Heard (‘All the Boys Love Mandy Lane’) e Odette Annable (‘The Unborn’) podem ser as mais típicas meninas bonitas e tontas de Hollywood, mas são profissionais a serem “carne a abater” em filmes de terror. O facto é que Heard e Annable são divertidas e mantém o interesse do filme antes do terror, e sabem correr e gritar como ninguém na segunda metade. As actrizes estão muito bem, o mesmo não se pode dizer de Karl Urban (‘Lord of the Rings’), que parece deslocado como a típica personagem do estrangeiro.
 
A fotografia do mexicano Gabriel Beristan (‘Blade 2’) aproveita a luz e a beleza da Argentina, e a verdade é que Efron conseguem colocar os espectadores na ponta da cadeira por mais que uma vez. Destaque vai para a emocionante sequência passada numa aldeia fantasma reduzida a cinzas, visualmente assombrosa e ágil no seu suspense.
 
No entanto, este ‘remake’ de um esquecido filme britânico dos anos 70 com o mesmo nome (que se passava em França) vem minado por enormes problemas estruturais. Inexplicavelmente, a sequência de abertura do filme revela-nos a natureza dos vilões apesar do resto de ‘Soon’ parecer esconder o motivo dos crimes. Frequentemente, a frágil Stephanie aventura-se na boca do lobo sem levar uma arma ou sem se aperceber do que está mesmo à frente do seu nariz. E a negociação final entre um dos herois e os vilões roça o absurdo pela quantidade de vezes que eles viram as costas uns aos outros deixando-se ser apanhados desprevenidos.
 
No final de contas, ‘And Soon the Darkness’ é um regular ‘thriller’ no registo ‘survival horror’. Particularmente bem fotografado e executado, mas que parece não cair nos excessos de violência que tem prejudicado o terror nos 00s, apenas por ser um filme pouco ambicioso.  
 
O Melhor: A sequência da aldeia fantasma.
O Pior: A fragilidade da narrativa que não sabe esconder as suas surpresas. 
A Base: Um ‘survival horror’ com momentos eficazes e duas protagonistas à altura, mas sem verdadeira garra. 6/10  
 
José Pedro Lopes

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