Passado na Inglaterra vitoriana, “Wolfman” conta a história de “Larry” Talbot, o qual volta à sua terra natal, Llanwelly, devido à morte do seu irmão. Ele é recebido com frieza pelo seu pai, John, que lhe conta que o seu irmão morrera violentamente devido a um ataque animal.
Na sua estadia, Larry conhece Gwen, noiva do seu irmão, e descobre que as inúmeras mortes violentas na região podem estar ligadas a um acampamento cigano e aos rumores da existência de um lobisomem.
Uma noite ele decide ir ao acampamento e é atacado por um lobo gigante. Nos dias seguintes, eles regenera rapidamente da mordida de que foi alvo e os aldeões acusam-no de ser o próximo lobisomem.
Adaptar o filme de 1941, “Wolfman”, não era uma tarefa nada fácil. O filme original era profundamente datado na sua apresentação e narrativa, a qual transportada directamente para 2010 seria do mais previsível e ingénua possível.
Joe Johnston realiza habilmente esta nova adaptação, que está cinematográficamente muito bem conseguida, contando com uma excelente fotografia e um belíssimo ‘design’ de produção. Os efeitos visuais digitais também estão ao mais alto nível na hora de criar o monstro e mostrar as suas transformações.
No entanto, “Wolfman” é um filme cheio de problemas tal como os constantes atrasos na sua estreia davam a entender. A primeira metade do filme, antes da transformação de Larry, está cheia de cortes e saltos narrativos. A história parece uma manta de retalhos e mesmo que todos estes cortes possam ter sido feitos para dar ritmo ao filme, a verdade é que o tornam disperso e pouco carismático.
Entrando o monstro do filme ganha força, e o segmento passado em Londres (uma parte totalmente nova, que não tem nada a ver com o filme original) chega a ser brilhante a nível visual e altamente climático – cinema fantástico ao seu melhor. A sequência do manicómio tem uma desfecho espectacular, e imagens como o lobisomem escondido junto a Tower Bridge são de um imaginário muito rico.
A recta final perde alguma força devido ao fraco acto inicial. Esta reinvenção de “Wolfman” baseia-se muito nas personagens mas não as desenvolve o suficiente de forma a fazer o final funcionar. A colisão de Larry com o seu pai, ou o desfecho da sua relação com Gwen, não têm a força e o impacto pretendidos.
Em relação ao elenco, destaque para a excelente performance de Emily Blunt, que dá muita vida e sensibilidade à personagem da Gwen, e para o brilhante Hugo Weaving como o inspector responsável por apanhar o lobisomem, uma personagem cheia de personalidade que deveria ter mais tempo no ecrã. Anthony Hopkins está bem mas não surpreende, e Benicio Del Toro vence mas não convence como protagonista. Muito culpa da estranha decisão do “Wolfman”, quando transformado, não ser absolutamente nada parecido com o actor (critério que não é usado no segundo lobisomem que vemos).
No final de contas, “Wolfman” é um filme bem actuado e realizado e com um ‘design’ fantástico mas com enormes problemas de ritmo e edição, agravados por uma narrativa confusa e um desfecho que não funciona.



















