“State of Play” por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

 

Há uma piada que corre no meio que diz que quando Russel Crowe quer dar peso a um papel fá-lo literalmente: quanto mais peso ganhar para um papel, mais sério este é. Este é mais um filme em que vemos um Crowe bamboleante com o peso que ganhou, a tentar esconder, sob a melena sebosa, a cara que já tantos milhões lhe valeu. Se conseguirmos afastarmo-nos dessa distracção (e é difícil já que está presente em quase todas as cenas deste filme), descobrimos um thriller político bem construído e sólido.

Baseado na série da BBC com o mesmo nome, exibida em 2003, o filme explora as intrigas económicas e políticas que ligam alguns assassínios, aparentemente não relacionados entre si, e as personagens políticas e jornalísticas envolvidas no caso, passando pela transformação da guerra de algo fundado com fundos públicos para um negócio com participação de entidades privadas e as suas possíveis consequências.

Com uma imagem e um estilo bem definidos e uma utilização do som cuidada, o filme só peca pelas pontas soltas que deixa (consequência inevitável de reduzir quase seis horas de material original para duas horas de duração), pelas representações de Ben Affleck e de algumas personagens secundárias, por uma cena final à Doogie Houser MD (fiquei à espera que começasse a música e tudo) e por um desviar à própria crítica ao jornalismo que faz, mesmo no final, e o cair num erro facilmente evitável.

O Melhor: A trama política bem desenvolvida e sólida.
O Pior : Algumas pontas soltas e algumas representações.

A Base
“um thriller político bem construído e sólido”…. 7/10
 
João Miranda

 

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