Os poucos argumentos parecem ser usados para pôr a ridículo os protagonistas – os 3 reis magos, Maria e José. A natureza humana que os actores são supostos retratar resulta mais numa visão ora complacente, ora francamente irritante do ócio e do egocentrismo. O que não facilita de todo o visionamento da película até ao fim. Tal como, aliás, as probabilidades de adormecer a meio do filme.
Até a única altura em que a música vem substituir os ruídos de fundo das várias paisagens filmadas, surge como uma dramatização descabida depois de tanto trabalho a tornar mundana a jornada de Gaspar, Baltazar e Belchior. A música usada é “El Cant des ocells” de Pau Casals, que dá precisamente o título ao filme.
Este filme vem provar que sucessões de planos estáticos de paisagens a preto e branco não são forçosamente sinónimos de beleza, nem sequências disconectas e sem sentido, sinónimas de poesia. A improvisação nem sempre resulta em algo significativo. E a obra não ganha sequer sentido enquanto conjunto.
Longe vão os tempos das obras-primas de mestres como Luis Buñuel e Andrei Tarkovsky, em que o talento estético e conceptual é posto ao serviço de um deslumbramento inigualável. E não há indício nenhum de que tal possa voltar a acontecer com realizadores como Albert Serra. Mas o mundo é dos audazes, e a esperança é a última a morrer…
(Texto por Patrícia Pereira)


















