
Brand Hauser (John Cusack) é um assassino contratado assombrado pelo passado. Nesta sátira à actualidade, Hauser tem de se disfarçar como produtor de eventos e organizar uma feira cujo objectivo é celebrar o casamento da pop star Yonica Babyyeah (Hillary Duff), quando na verdade a sua missão é eliminar Omar Sharif (Lyubomir Neikov), ministro do Turaquistão. Tudo se complica quando Hauser começa a perder a concentração devido às memórias que o atormentam e ao conhecer Natalie (Marisa Tomei) uma jornalista empenhada em desvendar a verdade por detrás de Tamerlane, a empresa privada que organiza o evento do casamento, gerindo por outro lado a guerra no Turaquistão.
John Cusack protagoniza, escreve e produz este filme. Clara sátira à actual questão da guerra e principalmente à América, o filme peca principalmente por não encontrar um equilíbrio na forma como está estruturado. Talvez se possa dizer que tenta evoluir da sátira, ou até de uma certa infantilidade, para um lugar mais sério e adulto, mas nunca encontra o equilíbrio necessário para estabelecer o filme num todo coerente. Torna-se difícil perceber qual o verdadeiro papel das personagens neste meio, sendo da mesma forma difícil avaliar a representação dos protagonistas. War, Inc. pega nos temas de um modo bastante agradável e cómodo mas falha o alvo quase na totalidade, em larga medida devido a esse desequilíbrio.
Outro dos problemas do filme é a tentativa de criar uma trama secundária com laivos de thriller em vez de se centrar directamente no potencial que, desde o início, apresenta ao espectador. No meio do humor que roça o non-sense e o slapstick, a personagem de Cusack sofre com os fantasmas do passado num registo mais sério, apaixona-se e redescobre o conceito de família ao desvendar a trama que o rodeia. Mas estes momentos dramáticos não colam juntamente com o resto do cenário.
As piadas relativas ao tema funcionam mas o filme perde por não estabelecer com exactidão o que quer apresentar ao público, principalmente no final. Se existe algo característico de uma boa comédia, é uma estratégia que desemboque num final que satisfaça o espectador; War, Inc. deixa uma sensação de que os temas que se propôs a abordar no início são postos de lado para dar lugar à trama e a um desfecho que parece escrito um pouco em cima do joelho.
4/10
Carlos Lopes
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