«The Sweeney» (Em Força Contra o Crime) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
 

Adaptação ao cinema de uma série de TV britânica dos anos 70, The Sweeney insere-se num género de lançamentos britânicos que apesar de chegar aos cinemas (até foi o filme de abertura do Festival de Locarno) tem no mercado do Home Vídeo a sua maior fonte de receitas.

Neste thriller, realizado por Nick Love – conhecido pelo drama hooligan The Football Factory, Ray Winstone “abraça” o papel do lendário de Jack Regan (papel que na TV pertencia a John Thaw), um policia da velha guarda que usa o que for preciso para deter os mais infames criminosos. Com ele, muitas vezes na ténue linha que separara o bem do mal, está Ben Drew (também conhecido como o rapper Plan B) – que desempenha o papel de George Carter (que na TV pertencia a Dennis Waterman), o seu parceiro e aliado que procura com Reagan travar o crime. Nesta missão, a do filme, os dois e a sua equipa de agentes da lei (intitulados de «Sweeney») terão de lidar contra um perigoso e implacável bando de assaltantes e assassinos que teimam em provocar o terror em Londres, colocando a policia sob o foco da atenção dos media – sedentos de resultados.

Com um estilo duro, que varia entre o documental e o profundamente estilizado, algo que já se sentia em The Football Factory, ou exemplos recentes do cinema britânico, como Ill Manors (também com Plan B no elenco) ou Wasteland, The Sweeney é um policial da velha guarda, a dos anos 70 e 80, onde a separação entre o bem e o mal pouco importa desde que se apresentem resultados. Este é aliás um sentimento que transpõe um pouco a cultura britânica mais conservadora, a mesma que nos anos 80 colocou Thatcher no poder e que já na década de 2000, ao lado dos EUA de Bush, não se preocupou com direitos humanos no combate ao terrorismo. Tudo vale, desde que se consigam resultados.

É que se Sweeney funciona também como um entretenimento razoável – ainda que menos interessante que Blitz, por exemplo – também é verdade que há algo mais politico por trás de tudo, nem que seja apoiar, desculpar, reavivar ou relembrar que acima de tudo está a segurança, mesmo que se tenha de violar a lei para a conseguir. E isso não é, de todo,  algo que se deva aplaudir…

 
O Melhor: Entretém minimamente
O Pior: A ideia que se pode violar a lei para se fazer cumprir a lei.
 
 
 Jorge Pereira
 
 

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