Más notícias: o dr. Menghele reencarnou na pele de uma bela brunette com franjas, passou a ser conhecido ciberneticamente como “Bloody Mary” e circula impunemente pelo escuro submundo de Vancouver e da comunidade body mod. Ficou para o encerramento um dos mais bizarros e incómodos momentos deste Motelx.
A nova e esperada obra das irmãs Soska, conhecidas depois de “Dead Hook in A Trunk”, “American Mary” é um registo completamente diferente, muito mais lento e trabalhado que o seu filme de estreia. Trata de uma aprendiz de cirurgiã (Katharine Isabelle) que começa, casualmente, a fazer operações ainda antes de se formar. Um incidente acaba por lhe arruinar a carreira e transformá-la numa sinistra musa das mais estranhas e medonhas cirurgias de transformação…
Raramente a violência intrínseca ao cinema de terror é mostrada por uma via tão requintada. Normalmente golpes de machado, serras elétricas e outros instrumentos acutilantes tratam do assunto – mas aqui o sadismo tem a perfeição de uma obra… cirúrgica. Filme sombrio, todo em tons púrpuras, que se debate na dicotomia beleza física/beleza interior enquanto mostra simpatia pela multidão de freaks que transitam pela dolorosa realidade da falta de auto aceitação e das mudanças corporais consequentes.
História também de vingança e morte, com uma curiosa justificação para um raro questionamento moral da protagonista: conforme lhe explica um gangster, se o “sujeito merece, faz o que tem de ser feito e esquece o assunto”. Extremamente bem filmado, com um grande trabalho de Katharine Isabelle, que concede uma dimensão triste e assustadora a sua Mary Mason.
O Melhor: Katherine Isabelle e a beleza “plástica” do filme
O Pior: alguma falta de conteúdo
| Roni Nunes |

