Baseado na peça do libanês Wajdi Mouawad, Incendies (2011) é uma tragédia moderna que viaja entre o passado e o presente, numa busca incessante pelas origens e por todos os elementos que contribuíram para aquilo que somos hoje.

Realizado por Denis Villeneuve, de Polytechnique (2009), o filme acompanha a morte da matriarca de uma família e o seu último desejo: que as suas duas filhas gémeas partam para o Médio Oriente em busca das suas raízes, do pai que acreditavam estar morto e do irmão cuja existência desconheciam. Enquanto Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) deseja descobrir toda a verdade sobre a sua génese, Simon (Maxim Gaudette) parece temer essa revelação. Jeanne parte assim sozinha, iniciando uma jornada trágica em busca de um pai que nunca conheceu, apenas para descobrir que, no fundo, também nunca conheceu verdadeiramente a mãe nem a sua história.

Por um lado, estamos perante um filme histórico que revela — e não de forma superficial, como em Miral (2010) — alguns contornos da história da Palestina. Mais do que enfrentar diretamente o conflito entre árabes e israelitas, Incendies concentra-se nos conflitos internos, entre cristãos e árabes, expondo uma violência fratricida tão crua quanto devastadora. Por outro lado, existe uma tensão própria do thriller, construída a partir de uma investigação conduzida por pistas dispersas, que mantêm o espectador num estado constante de inquietação. Finalmente, e talvez de forma mais brutal, impõe-se o drama, pois aqui o conhecimento raramente liberta e, muitas vezes, castiga.

E neste caso específico, não há ilusões a alimentar: a verdade pode ser necessária, mas dificilmente é reconfortante. Sem comprometer o impacto desta experiência cinematográfica rara, fica apenas o essencial: vejam. Procurem este filme, não desperdicem um minuto e redescubram esta obra maior, injustamente esquecida ao longo dos últimos 15 anos.

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Pontuação Geral
Jorge Pereira
12-festa-do-cinema-frances-incendies-a-mulher-que-canta-por-jorge-pereiraNão há ilusões a alimentar: a verdade pode ser necessária, mas dificilmente é reconfortante. Sem comprometer o impacto desta experiência cinematográfica rara, fica apenas o essencial: vejam. Procurem este filme, não desperdicem um minuto e redescubram esta obra maior, injustamente esquecida ao longo dos últimos 15 anos.