Detroit surge no mapa industrial americano como o centro automóvel, onde Ford abriu a sua fábrica e onde desenvolveu a linha de montagem no início do século XX. Com a deslocalização desta indústria nos anos 80 e 90, Detroit foi sofrendo a nível económico e urbanístico. “Detroit Ville Sauvage” explora a degradação das zonas industriais e habitacionais de Detroit, as velhas ruínas já parcialmente ocupadas de novo pela natureza.
É um filme com uma matiz apocalíptica pós-industrial, uma visão que se aproxima da ficção científica das consequências da globalização, que se assemelha à das cidades abandonadas por desastres nucleares, só que esta continua a ser parcialmente habitadas. É um case study urbanístico que se aproxima das distopias que se vêem na anime japonesa, com um desocupar das ruas da cidade, ocupadas progressivamente pelo crime, com canais priveligiados para transportes que levam directamente a centros de comércio, como o Renaissance Center que foi desenhado inicialmente sem qualquer porta de entrada.
O filme mostra os diversos movimentos que procuram recuperar as ruas da cidade, quer limpando os edifícios demasiado degradados, quer criando centros de agricultura, acompanhado com entrevistas aos habitantes, que demonstram um conhecimento profundo ou uma atitude inspiradora, acresentando em muito ao filme.
O Melhor: O tom quase ficção científica.
O Pior: Falta-lhe alguma contextualização a nível global.
A Base: É um filme com uma matiz apocalíptica pós-industrial, uma visão que se aproxima da ficção científica. 8/10
João Miranda

