Incumbido da tarefa de encerrar a seleção de longas-metragens da seção Infantil de San Sebastián, em 2025, The Super Elfkins (Os Super Elfkins: Uma Nova Aventura), da realizadora Ute von Münchow-Pohl, assegura um espaço para um setor audiovisual da Alemanha – a animação – que raro encontra vez para além de suas fronteiras, com participação tímida até na Meca do setor: o Festival de Annecy. Curtas germânicos tinha circulação vigorosa até o fim da primeira década do século XXI, mas logo deixaram de se fazer capturar pelos radares das maratonas mais pluralistas e de eventos dessa seara. Em geral, o que se vê corresponde a uma porção destinada a miúdos, com foco na formação de plateias, como é o caso desta divertida produção de 2024, que venceu o prêmio de júri popular no Festival de Zurique. Sua presença em Donostia, maratona que sempre jogou holofotes sobre narrativas animadas autorais, serve como distinção (como um reconhecimento artístico) para o trabalho de Ute.
Em 2019, ela lançou uma primeira longa deste mesmo universo, conhecido em Portugal como Os Elfkins – Operação Pastelaria e no Brasil como É Doce!. Estruturou um universo de tipos mágicos que lidam com o mundo (o adulto, sobretudo) a partir de suas diferenças, a começar pela estatura diminuta, qual a de um brinquedo. O enredo do original valorizava tradições e alimentava uma reflexão sobre solidariedade. A produção mais recente de Ute retoma suas inquietações acerca das mudanças comportamentais a partir de uma conversa sobre o uso de ferramentas digitais no dia a dia e a dependência tecnológica. O cerne da dramaturgia está na crítica à alienação digital, na qual crianças se isolam em seus telemóveis.
Para tratar do tema de modo mobilizador, a cineasta apela para uma direção de arte de um colorido dionisíaco, com traços delicados, que evitam moldes Disney. No guião a aventureira duende do povo Elfkin chamada Elfie, a sua serelepe heroína, sonha com uma vida mais emocionante, na qual possa combinar sua rotina de assar guloseimas com a experiência de brincadeiras repletas de diversão e adrenalina. Para desgosto dos membros mais velhos de seu clã, que querem que tudo continue como está, ela almeja descobrir novidades. Quando conhece a criatura chamada Bo, sua vida dá uma guinada inesperada. Bo pertence a um clã Elfkin paralela, cuja filosofia gira em torno da diversão e do uso de aparelhos mecatrônicos para fazer coisas ousadas, mas não necessariamente lícitas.
Incumbido da tarefa de encerrar a seleção de longas-metragens da secção Infantil de San Sebastián, em 2025, The Super Elfkins (Os Super Elfkins: Uma Nova Aventura), da realizadora Ute von Münchow-Pohl, assegura um espaço para um sector audiovisual da Alemanha – a animação – que raramente encontra lugar para além das suas fronteiras, com participação tímida até na Meca do género: o Festival de Annecy. As curtas alemãs tiveram circulação vigorosa até ao final da primeira década do século XXI, mas logo deixaram de se fazer notar nos radares das mostras mais pluralistas deste universo. Em geral, o que se vê corresponde a uma porção destinada a miúdos, com foco na formação de públicos, como é o caso desta divertida produção de 2024, que venceu o prémio do júri popular no Festival de Zurique. A sua presença em Donostia, festival que sempre deu visibilidade a narrativas animadas autorais, surge como distinção e reconhecimento artístico para o trabalho de Ute.
Em 2019, a realizadora lançou a primeira longa deste mesmo universo, conhecida em Portugal como Os Elfkins – Operação Pastelaria e no Brasil como É Doce!. Estruturou um mundo de pequenas criaturas mágicas que lidam com o universo adulto a partir das suas diferenças, a começar pela estatura diminuta, semelhante à de um brinquedo. O enredo desse filme valorizava tradições e promovia uma reflexão sobre solidariedade. A produção mais recente de Ute retoma as mesmas inquietações, desta vez a partir de uma conversa sobre o uso de ferramentas digitais no quotidiano e a dependência tecnológica. O cerne da narrativa está na crítica à alienação digital, na qual as crianças se isolam nos seus telemóveis.
Para abordar o tema de forma mobilizadora, a cineasta aposta numa direção de arte de um colorido vibrante, com traços delicados que evitam os moldes Disney. No guião, a duende Elfie, heroína do povo Elfkin, sonha com uma vida mais emocionante, capaz de combinar a sua rotina de assar guloseimas com brincadeiras cheias de diversão e adrenalina. Para desgosto dos membros mais velhos do clã, que querem que tudo permaneça como está, ela deseja descobrir novidades. Quando conhece Bo, criatura pertencente a um clã paralelo de Elfkins cuja filosofia gira em torno da diversão e do uso de engenhocas mecatrónicas para feitos ousados (nem sempre lícitos), a sua vida muda inesperadamente.
Com um orçamento de 9,7 milhões de euros, Os Super Elfkins: Uma Nova Aventura afirma-se nas telas de Donostia pela força do seu guião, com diálogos que não parecem moldados para formatar cabeças (como sucede tantas vezes na Pixar), mas antes dedicados a abrir conversas sobre o que pode ser incorporado da dinâmica industrial na vida prática de quem ainda está a perder os primeiros dentes de leite.



















