Baseado numa peça de 2017 do L.A. Times assinada por Frank Shyong, Rosemead revela uma sensibilidade rara na estreia em realização de Eric Lin, até então conhecido como diretor de fotografia. Com delicadeza e precisão emocional, o filme aborda o estigma persistente em torno da saúde mental nas comunidades asiáticas nos EUA, em particular da taiwanesa, explorando a omissão propositada de questões ligadas à saúde (física e mental) para manter a fachada de uma família perfeita que, apesar de viver nos EUA, não se ocidentalizou em demasia.
É no olhar ao peso da vergonha cultural e ao isolamento daí resultante que o filme de Lin é mais eficaz, enquanto em simultâneo aborda os temores sociais gerados pelos tiroteios em massa nas escolas norte-americanas, mostrando como esses episódios construíram um pânico coletivo.
A recusa em pedir ajuda, o medo do julgamento comunitário e a crença de que tudo deve ser resolvido internamente, movem a personagem de Irene (Lucy Liu), uma mãe sino-americana de primeira geração que luta contra o cancro, mas vai escondendo isso de todos, inclusivamente do filho adolescente, Joe (Lawrence Shou), o qual sofre de esquizofrenia.
Tudo se passa na cidade de Rosemead, no Vale de San Gabriel, Califórnia — um enclave significativo da comunidade taiwanesa e chinesa. Enfrentando um sistema que falha em oferecer apoio real, e presa numa mentira silenciosa, feita de verdades escondidas, Irene começa a ficar em pânico quando descobre que o filho está obcecado com tiroteios em massa. Quando Joe começa a revelar episódios cada vez mais graves da sua esquizofrenia e a opor-se à medicação — a qual lhe retira capacidades de vigilância, segundo ele —, Irene começa a pensar seriamente no que fazer, pois tem apenas alguns meses de vida e falta pouco para o filho atingir a maioridade. Como vai ele, com a doença que tem, viver depois dela desaparecer?
Construído num crescente emocional em torno de um dilema, Rosemead não escapa a clichés e a uma certa previsibilidade, especialmente na forma como nos apresenta a doença de Irene e do filho. A banda sonora enfatiza isso mesmo, procurando nos primeiros momentos acentuar (ou gritar) com o espectador que estamos perante uma tragédia, soando um pouco forçada. Só quando a doença de Irene é remetida para segundo plano e o filme se centra na evolução dramática do rapaz e da sua esquizofrenia, intersectando-se com a questão dos tiroteios em massa, o filme parece soltar-se das amarras dos lugares comuns, soltando um ligeiro fio de thriller que se nos agarra à pele até ao fim.
Lucy Liu entrega uma atuação contida e convincente, com uma força silenciosa que vai se transformando em palavras e ações à medida que o filme se aproxima do clímax. Nesse ato, ela dá rosto a uma mãe cujo amor é corroído pelo peso da responsabilidade e pela luta por dignidade num sistema que, em vez de proteger, estigmatiza e exclui.
No final, Eric Lin demonstra que Rosemead não é apenas um retrato de um colapso familiar, mas um reflexo incómodo da incapacidade coletiva de cuidar. Resta, assim, ao indivíduo — fragilizado pelas circunstâncias da vida — tomar decisões que, em caso algum, gostaria sequer de ponderar.



















