Pegando num evento real de dimensões gigantescas – os Jogos Olímpicos de Paris em 2024 – para contar a pequeníssima história de uma mulher na casa dos 30 anos vinda da Normandia, Blandine (Blandine Madec), que viaja até à capital francesa para assistir a uma prova de natação no Sena (que nunca acontece) e aproveita para se encontrar com a irmã que não vê há uma década e a sobrinha que nunca conheceu, Valentine Cadic entregou aos espectadores da Berlinale uma pequena pérola cinematográfica, daquelas que marcam carreiras como aconteceu com Antonin Peretjatko (A Rapariga do 14 de Julho) e Justine Triet (A Batalha de Solferino), na década de 2010.
Não é inocente a referência desses dois filmes para falar de “Rendez-vous de l’été”, um objeto onde a influência de vários nomes do cinema francês, como Guillaume Brac, Éric Rohmer e Jacques Roziers, sente-se em cada minuto dos 70 e poucos que o filme, sem nunca sufocar o espectador numa presunção em bicos de pés melancólica de filme de tributo e/ou homenagem.
Ao invés, “Rendez-vous de l’été” tem uma vida muito própria, ou várias, tal qual as surpresas que a sua protagonista, Blandine, vai apresentando ao longo de uma jornada cheia de tropeções no decorrer de um evento que fez refém a cidade e a vida de quem lá habita. O que assistimos, com um sorriso nos lábios dado minúsculo pressuposto que nos é apresentado, são pequenos momentos que abanam a vida de qualquer um, todos tratados com a ligeireza da normalidade de alguém que chega a um local com as suas próprias regras condicionantes e códigos sentimentais e relacionais diferenciados.
Blandine Madec está excecional em cena com toda a sua simplicidade e lucidez, sendo bem acompanhada por India Hair no papel da sua irmã com pouca paciência além do próprio umbigo, do ex-companheiro desta, Paul (Matthias Jacquin), que protesta constantemente contra a organização da festa desportiva, e de Benjamim (Arcadi Radeff), com quem Blandine se conecta no meio do caos que vai surgindo à sua volta.
Fica na retina o humor, particularmente numa cena numa esquadra, e a ternura da simplicidade de uma mulher preparada para toda e qualquer peripécia que a confronte.



















